Matar ou não matar o sequestrador foi o dilema dos policiais durante três horas na noite de terça-feira, em frente à casa na rua Granito, 281, no jardim Ideal (zona leste). A cena era dramática: o menor N.R.V., 17 anos, com uma faca encostada no pescoço da jovem Graciela Gonçalves dos Santos, 17 anos, filha de seu patrão. A todo momento, ele prometia matar a refém caso a polícia tentasse invadir a residência. Minutos antes, o menor havia tentado roubar a casa e foi flagrado.
O tenente Sérgio Dalbém, que comandava o contigente da Polícia Militar, descreveu a situação como ‘‘caótica e trágica’’ e atribuiu o sucesso da missão ao entrosamento das polícias Militar e Civil. ‘‘Por qualquer atitude precipitada, poderia haver tragédia. Mas as duas polícias pensaram juntas.’’ A polícia sabia que o menor não estava brincando: ao invadir a casa, já havia tentado esfaquear a mãe de Graciela.
‘‘Foram horas de conversa sem parar, não dando tempo ao sequestrador para formalizar um raciocínio lógico’’, explicou o delegado Irineu Lovato, que comandava os policiais civis. Ele, o tenente e o detetive Antônio Estevão dos Santos participaram diretamente do diálogo com o menor. O delegado afirmou que, em razão da posição do sequestrador e da distância que o separava da polícia (não mais do que 15 metros), quase não havia possibilidade de errar o tiro.
O menor estava armado com duas facas e um canivete. Primeiro, ele trocou uma das facas por um colete à prova de bala. Depois, foi convencido a trocar a outra faca por um revólver (que estava com balas de festim). Por fim, ele trocou o canivete por uma outra bala, também de festim. Com a arma, exigiu um carro para fugir. Ele foi preso quando entrava no veículo junto com a refém. ‘‘Em momento algum negociamos a vida da refém. Estávamos negociando a vida do sequestrador e agiríamos em função da integridade física da vítima’’, afirmou Dalbém. Ele e o delegado disseram que valeu o trabalho e a paciência. ‘‘Graças a Deus, ninguém saiu ferido.’’

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