Policiais civis são presos com veículo roubado em Maringá Marcos NegriniRECEPTAÇÃOCaminhonete tomada de assalto em Campinas (SP) localizada na garagem de um policial em Maringá Marta Medeiros De Maringá Especial para a Folha O investigador da Polícia Civil de Maringá, Eliseu Luiz Kracheski, 38 anos, foi preso ontem e autuado em flagrante por receptação de carro roubado. O veículo, uma caminhonete Ford F250, de Campinas (SP), estava na garagem de um outro policial civil, também investigador, Agenor Rodrigues Santos, indiciado no inquérito. A prisão dos policiais indignou o comando da 9ª Subdivisão Policial de Maringá (9ª SDP) que considerou o fato lamentável diante de tantas denúncias envolvendo a Polícia Civil do Paraná, especialmente na CPI do Narcotráfico. Na madrugada de ontem, Agenor foi preso por uma equipe da P2, serviço reservado da Polícia Militar. Os policiais teriam recebido informações anônimas de que na casa do investigador, na zona norte da cidade, estaria um veículo com placa de São Paulo. Em contato com a polícia daquele Estado, a PM descobriu que a caminhonete, ano 99, de propriedade de João Luiz Held, havia sido tomada de assalto dia 29 de fevereiro, em Campinas, por quatro homens armados de pistola. Em depoimento, Agenor contou que apenas estava fazendo um favor para um colega de serviço. Segundo ele, Kracheski o procurou pedindo para deixar a caminhonete na garagem, sem informações da origem do veículo. Preso em flagrante, Kracheski afirmou que encontrou a caminhonete em uma estrada rural na saída para Paranavaí. O investigador disse que fez uma pesquisa no sistema de informações da polícia e não encontrou a caminhonete na lista de veículos furtados e, por isso, decidiu ficar com a F250 até depois do Carnaval. O delegado-adjunto da 9ª SDP, Roberto Fernandes, disse que a polícia irá investigar a atuação de Kracheski e até possíveis ligações com quadrilhas especializadas no furto de carro. ‘‘Se o que ele (Kracheski) falou é verdade então deveria ter trazido a caminhonete para o pátio da delegacia’’, ressaltou o delegado. Kracheski tem 19 anos de serviço. Ele trabalhou na Polícia Militar e nos últimos 10 anos estava na 9ª SDP. Segundo Fernandes, os dois policiais ‘‘têm ficha limpa’’. ‘‘Eles estão à disposição da Justiça e nós iremos continuar as investigações’’, afirmou o delegado adjunto.