Policiais civis são detidos
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sexta-feira, 14 de novembro de 2003
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba Dois policiais civis e dois funcionários públicos da Prefeitura de Jaguariaíva (118 km ao norte de Ponta Grossa) que faziam a guarda na carceragem da delegacia de polícia foram presos ontem por policiais do Grupo Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gerco), órgão vinculado à Promotoria de Investigações Criminais (PIC). Eles são citados em denúncias anônimas encaminhadas para o Ministério Público como mandantes de vários crimes como concussão (extorsão praticada por servidor público), tráfico de drogas, formação de quadrilha e corrupção passiva.
As denúncias estão sendo investigadas pelo promotor Rodrigo Otávio Mazur Casagrande. Um dos policiais civis, Valdemir Luiz Piva, já foi denunciado pelo Ministério Público (MP) por peculato (funcionário público que se aproveita do cargo para desviar ou se apropriar de qualquer bem) e teve prisão preventiva decretada.
De acordo com a denúncia, Piva teria usado o cartão do banco de um preso depois de descobrir a senha numa carta da família do detento. Ele foi flagrado por uma câmera de segurança da agência do banco onde teria sacado o dinheiro, usando uma camiseta da Polícia Civil, que foi apreendida.
A fita foi encaminhada para degravação. ''Não temos dúvidas do envolvimento dele no crime'', confirmou o promotor. Ele admitiu que os outros três ainda não foram denunciados por falta de provas. O promotor também pediu a prisão temporária deles. ''Apenas com a prisão é que poderei saber se as denúncias são verdadeiras''.
O advogado dos policiais e dos funcionários públicos, Maurício Barbosa dos Santos, conseguiu ontem a remoção dos presos para a cadeia da Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos, em Curitiba. Para o advogado, a denúncia é frágil. ''Todo preso odeia o policial que o prendeu. Daqui a pouco teremos todos os policiais civis do Paraná na cadeia'', ponderou.
O delegado de Jaguariaíva, Flávio Zanin, afirmou que outros dois investigadores foram encaminhados em caráter de emergência para a delegacia para cumprir as funções de escrivão e carcereiro. Apenas dois investigadores e o delegado ficarão responsáveis por cuidar dos 44 presos e atender as ocorrências policiais. ''Ficou impossível trabalhar dessa forma'', afirmou o delegado, que já pediu mais policiais para a delegacia.


