James Alberti
De Curitiba
Os investigadores Adilson Gonçalves e Gilmar Carpegiani, do 6º Distrito Policial (DP) de Curitiba, são acusados de sequestrar o empresário do setor imobiliário, Sidnei Marcos Petri, de Florianópolis (SC), na terça-feira desta semana. Petri foi trazido para Curitiba e permaneceu preso no 6º DP. Por telefone, os policiais teriam tentado extorquir R$ 10 mil da família da vítima. O crime foi descorberto após denúncia da mulher do empresário, Simone Petri. O delegado César Krieger, do 7º Distrito Polícial de Florianópolis, intermediou a liberação do empresário. Petri foi libertado por volta das 22 horas de anteontem e escoltado até o Aeroporto Internacional de São José dos Pinhais, onde tomou um avião para retornar a capital catarinense.
O secretário da Segurança Pública do Paraná, Cândido Martins de Oliveira, disse ter ficado sabendo do crime pela reportagem da Folha, às 18 horas de ontem. A assessoria da Segurança Pública de Santa Catarina alegou, porém, que havia comunicado o comando da Polícia Civil do Paraná. Ao saber do sequestro, Martins reuniu-se com o delegado-geral, Newton Tadeu Rocha, e determinou a apuração do caso. Segundo Martins, se ficar comprovada a denúncia, os policiais devem ser presos ainda hoje.
O escrivão Mário Francisco, do 7º DP de Florianópolis, que acompanhou as negociações para libertar o empresário, afirmou que os agentes teriam prendido Petri com um mandado do juiz Antônio Ivair Reinaldin, no qual constava apenas o nome Sidnei de ‘Tal’, sem sobrenome nem endereço. A prisão aconteceu na terça-feira em Florianópolis, disse Francisco.
Francisco afirmou que dias antes os agentes acusados teriam prendido o assaltante Edson de Oliveira Coelho, que tem passagens pela polícia do Paraná. Ao depor, Coelho afirmou que tinha deixado um carro roubado de posse de Petri, para quem devia aluguéis de uma casa. Sem saber que se tratava de um assaltante, o empresário catarinense havia alugado uma casa, na praia de Canasvieiras, para Coelho. Este não teria pago os aluguéis e deixou o carro que tinha roubado em São Paulo como garantia. Antes disso, foi preso em Curitiba.
Para não ser envolvido nos crimes de Coelho, a família de Petri foi pressionada a fazer o pagamento. A mulher do empresário depositou R$ 5 mil na contra de Petri, para que ele pudesse fazer o saque em Curitiba. O dinheiro, no entanto, não foi retirado porque os policiais aumentaram o preço do resgate para R$ 10 mil. Ao invés de fazer novo depósito, Simone procurou a polícia de Santa Catarina.
Ontem à tarde, o empresário prestou depoimento à polícia catarinense. Por causa do depoimento, o delegado não pôde falar com a Folha.

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