Policiais civis são acusados de agredir menor por causa de boné
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terça-feira, 10 de dezembro de 1996
Lúcio Horta 
A disputa por um boné, no último sábado, acabou gerando acusações contra agentes da Polícia Civil de agressão contra menor. O fato ocorreu por volta das 18 horas, no Jardim Coliseu (zona norte), e foi parar na 10ª Subdivisão Policial de Londrina. Houve abertura de Termo Circunstanciado de Infração Penal - constando as duas versões -, que deve em seguida ir para o Juizado Especial Criminal.
Segundo a versão do menor A.M., de 17 anos, ele e alguns amigos andavam com skate quando outro garoto começou a rir e fazer chacota do grupo. A.M. então teria perdido a paciência e tomado o boné do garoto, com a intenção de devolver em seguida. Peguei o boné e fui beber água. Quando voltei ele já tinha ido embora.
Alguns minutos depois, no entanto, o garoto voltou acampanhado do pai, o policial civil Justino Simões, e outro policial, Carlos Roberto Cantagali. A.M diz que foi algemado e agredido com socos e pontapés. A hora que eu vi ele já estava no chão, apanhando. A gente tentou negociar mas o Roberto dizia que folgado tem que ser tratado na porrada , conta Fábio Henrique Machado de Souza, 19 anos, que fazia parte do grupo.
A mãe de A.M., Regina Aparecida Evangelista Moreira, chegou pouco depois ao local. Cheguei e disse que ele não podia fazer aquilo. Mas aí o pai estendeu a carteira de polícia e alegou que meu filho tinha roubado o boné, diz. Se ele realmente roubou eu quero que seja punido, mas para que a violência?
Justino Simões tem uma versão diferente. Segundo ele, quando chegou em casa, naquela tarde de sábado, encontrou o filho de 12 anos chorando porque tinham roubado seu boné. Falei que não adiantava ir atrás. Mas como policial tenho a obrigação e o dever de verificar.
No caminho, o policial teria encontrado o colega da Polícia Civil, Carlos Roberto Cantagali, e pediu ajuda. Chegando ao local, resolveu prender A.M. em flagrante - até então eu não sabia que ele era menor - mas encontrou reação. Por isso teria resolvido algemá-lo. Mas aí ele começou a reagir mais ainda, a se debater.
A esposa de Simões, Ilama Alvarenga, completa que o filho também tem recebido ameaças de A.M. Ontem (anteontem) mesmo ele disse que, se ver meu filho na rua, vai bater até matar.
A.M. e Simões fizeram, ontem, exame de lesão corporal no Instituto Médico Legal (IML) de Londrina. O julgamento do caso deverá ser feito somente no ano que vem pelo Juizado Especial Criminal.


