Policiais civis rejeitam trabalho conjunto com a PM
Paulo Ubiratan
De Londrina
Policiais civis de Londrina rejeitaram a proposta de se unir aos policiais militares para, em conjunto, investigar o grande número de assaltos que acontecem na cidade. O comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar, Silvio José Mazalotti, ofereceu 18 policiais militares que trabalham no serviço reservado da corporação - conhecido como P-2 - para, sob o comando de um delegado de polícia, apurar os roubos na cidade.
A proposta foi levada para o delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial (SDP), Wanderci Corral Fernandes, que em princípio aceitou unir as duas polícias. A união formal durou menos de 12 horas e seria um fato inédito no Brasil. Ontem, pela manhã, o delegado Wanderci chamou os funcionários para expor a idéia, quando foi surpreendido pela revolta dos policiais. Todos rejeitaram a proposta. A justificativa dada é que a idéia feria a Constituição, que autoriza somente a Polícia Civil fazer investigação na função de Polícia Judiciária.
O que o Estado deve fazer é reestruturar a Polícia Civil e não quebrar o galho, contradizendo os princípios constitucionais e nos deixando fora de nossas funções, cuidando de presos, afirmou a presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Londrina (Sindipol), Solange Pinheiro de Freitas. Ela informa que 80% dos investigadores estão fora de suas funções, tomando conta de presos nos Distritos Policiais (DPs).
O delegado Wanderci disse que aceita a posição dos policiais, mas alertou que a população será prejudicada. O povo não quer saber se quem trabalha é a Polícia Civil ou a PM. A comunidade quer é usufruir de segurança, afirmou. A maioria das investigações já está sendo feita pela P-2. O delegado apenas queria oficializar o trabalho deste grupo da PM.
Dez policiais civis que pediram para não ser identificados procuraram a Folha para justificar a posição. Eles disseram que entendem a situação do delegado Wanderci, que não tem pessoal para fazer investigações. A situação na cidade preocupa já que o número de roubos subiu mais de 20% em relação ao mês passado. O Sindicato das Classes dos Policiais Civis do Paraná (Sinclapol) também está questionando o governo do Paraná sobre o sucateamento da Polícia Civil.





