Policiais civis percorreram ontem as principais ruas da cidade em um movimento para ''informar as condições de trabalho e mostrar à população o tratamento dispensado a eles pelo governo''. Em Londrina, participaram do protesto cerca de 50 policiais de toda a região. Vestidos de preto, com apitos e nariz de palhaço, eles saíram em passeata. Carregando faixas contra o governo, os manifestantes fizeram concentração no Calçadão no final da manhã. Os protestos ocorreram simultaneamente em Londrina, Ponta Grossa e Maringá. No dia 18, será realizada uma manifestação estadual em Curitiba.
Segundo o Sindicato dos Policiais Civis de Londrina e Região (Sindipol) participaram da passeata apenas os servidores que estavam em dia de folga. O trabalho não foi prejudicado ou interrompido. Um dos principais pontos de reclamação dos manifestantes é que muitos aposentados estão sendo chamados de volta para assumir suas funções. De acordo com Ademilson Antônio Alves Batista, presidente do Sindipol, até agora o Tribunal de Contas do Estado (TCE) determinou que pelo menos 500 servidores reassumam seus cargos.
''Temos casos de policiais que tiveram que voltar depois de nove anos aposentados. Eles voltam desatualizados em termos de informática, armamento, técnicas de investigação e legislação, totalmente desestimulados e se sentindo desrespeitados'', salientou Batista. Ele explicou que a ParanáPrevidência tem concedido a aposentadoria aos policiais com base na lei federal 51/85, que prevê a concessão do benefício para quem contribuiu por 30 anos ao regime de previdência, desde que com 20 anos na função policial.
O tempo de serviço é menor do que para os demais trabalhadores devido aos riscos da profissão e está previsto na Constituição Federal. No entanto, o TCE tem entendido que os policiais - assim como os demais servidores - só podem se aposentar com 60 anos de idade. E, neste caso, determinam a volta ao trabalho de todos os servidores que se aposentaram com idade abaixo de 60 anos.
Outra reivindicação é a implantação de um plano de cargos e salários. De acordo com ele uma comissão teria sido formada há três anos para discutir o assunto, mas até agora não foi concluído. Além disso, há reclamações de falta de efetivo que deveria ser ''no mínimo o triplo do atual''. Segundo Batista, o Paraná teria cerca de 3,5 mil policiais.
O escrivão Geraldo Aparecido Ronaldo, de Cambé, foi chamado ao trabalho há sete meses depois de dois anos e sete meses de aposentadoria. Ele foi aposentado com 51 anos de idade. ''Foi um choque porque não vislumbrava voltar. Tenho colegas que ficaram depressivos e só quem passa por esta situação sabe como é. Queremos respeito, só isso'', afirmou.
Segundo a Secretaria de Estado da Administração existem decisões judiciais que impedem o TCE de homologar as aposentadorias e determinam a volta dos profissionais ao trabalho. Por isso, informa o órgão, o governo está apenas cumprindo a lei ao reconvocar os policiais.

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