Policiais civis impedem PM de fazer despejo
O pedreiro Armínio Senen, 43 anos, a mulher e os quatro filhos não foram para o meio da rua, com todos os móveis que possuem, na segunda-feria desta semana porque policiais civis, com suas armas na cintura, impediram que soldados da Polícia Militar cumprissem um mandado de despejo. A cena colocou colegas de profissão de lado opostos porque um dos policiais civis é concunhado de Senen e chamou os amigos de polícia para defender o parente. Todos consideravam injusta a atitude do oficial de Justiça e, juntos, pediram para que o despejo não fosse efetuado.
Um confronto não ocorreu por pouco. O policial civil Nelson Antonio Bento, 32 anos, casado com a irmã da mulher de Senen, trocou ofensas com o empresário Carlos Alberto Kuster Grocoski, dono do terreno no qual reside a família do pedreiro e interessado no despejo. É uma injustiça o que está acontecendo, disse Bento. Segundo o advogado de Senen, José Cládio Siqueira, houve um erro da gráfica do Estado ao imprimir o Diário Oficial. O advogado disse que seu nome não constava no Diário e, por isso, não havia sido intimado para defender o pedreiro. Siqueira irá entrar com recurso para anular a ação de despejo.
A briga entre Senen e o empresário começou há cerca de oito meses, quando Grocoski pediu que o pedreiro deixasse o terreno no qual havia reside há seis anos. Segundo Senen, o empresário o havia contratado para cuidar da chácara em 1993, pois, à época, havia invasões de terra na região.
Na chácara, o pedreiro construiu uma casa de 150 metros quadrados, com cinco quartos, duas salas, cozinha, garagem, churrasqueira. Cuidou de tudo com muito zelo, como o local revela e confirmam os vizinhos. Agora, segundo Senen, Grocoski quer que ele deixe o local com as mãos abanando.
O empresário foi procurado durante dois dias. Anteontem, após atender o telefone, Grocoski disse que estava ocupado e que retornaria a ligação, o que não ocorreu. Procurado novamente pela Folha ontem, ele não foi encontrado.Albari RosaA família de Armínio Senen em frente à casa que ele construiuJames Alberti





