Da Sucursal
A proposta de paralisação total e por tempo indeterminado das atividades da Polícia Civil no Paraná será votada hoje, às 10 horas, numa assembléia aberta que acontecerá no pátio do Instituto Médico Legal, em Curitiba. Segundo o presidente do Sindicato das Classes Policiais do Paraná (Sinclapol), Vitenberg Gomes Mendes, o movimento grevista já conta com a adesão dos quatro mil policiais civis do Estado. Os dois mil agentes do sistema penitenciário do Paraná também decidem hoje, no final da tarde, se irão aderir à greve.
Vitenberg diz que a única alternativa para que a paralisação fosse evitada seria a negociação. ‘‘Não nos deixaram outra opção senão a greve geral’’, disse o representante do sindicato. ‘‘Nós não acreditamos mais no secretário Cândido Martins de Oliveira.’’
Representantes de todas as regionais da Polícia Civil no interior do Estado chegaram em caravanas, durante a madrugada, para participar da assembléia de votação. ‘‘Reivindicamos um plano de cargos e melhores salários, que não são reajustados desde abril de 95’’, explicou o presidente do Sinclapol.
Ele argumenta que os 120% de reajuste concedidos há dois anos foram ‘‘um embuste’’, já que foram aplicados sobre o salário-base e não sobre o salário real dos policiais. ‘‘Na realidade, tivemos um reajuste de apenas 49%.’’
Mendes informou que profissionais como auxiliar de necrópsia, operador de telecomunicações e identificador datiloscópico recebem hoje o salário mensal bruto de R$ 305,00. ‘‘Os investigadores de polícia ganham R$ 462,00.’’
O Sinclapol e o Governo do Estado, através da Secretaria de Segurança Pública, se reuniram anteontem à noite, mas nenhuma decisão foi tomada. ‘‘Na ocasião questionamos, por exemplo, como o Estado pode pagar R$ 2.700,00 mensais por cada uma das muitas viaturas policiais alugadas e não pode corrigir nossos salários.’’ Segundo Mendes, a secretaria alegou que esta verba vem do Fundo de Reequipamento.
A proposta de um reajuste similar ao concedido no ano passado à Polícia Militar, segundo afirmou Mendes, foi apresentado no ano passado pela Polícia Civil ao governo do Estado. ‘‘O nosso projeto foi engavetado’’, denunciou. Os policiais militares receberam um reajuste de 132%, parcelado mensalmente.
Na opinião do presidente do sindicato, uma greve geral dentro da Polícia Civil prejudicará a população principalmente em determinadas áreas, como a expedição das carteiras de identidade, a perícia e a investigação dos crimes. ‘‘Também não iremos mais tomar conta dos quase dois mil presos que estão irregularmente detidos em nossas delegacias.’’

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