Policiais civis decidem parar no PR
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terça-feira, 17 de março de 2009
Marcela Rocha Mendes<br> Equipe da Folha 
Policiais civis paranaenses, coordenados pelo Movimento Operação Padrão, decidiram, ontem, fazer uma paralisação de dez horas nos dias 2 e 22 de abril. A decisão foi votada durante uma manifestação que reuniu cerca de 150 agentes no Centro Cívico de Curitiba com objetivo de reivindicar melhorias para a classe.
O ato teve apoio do Sindicato dos Policiais de Londrina (Sindipol). Segundo o presidente da entidade, Ademilson Antonio Alves Batista, desde 2005 existe um estudo sobre a modernização da Polícia Civil, que inclui a aposentadoria especial e o plano de cargos e salários (PCS). Depois de protestar em frente ao Palácio das Araucárias, sede do governo do Estado, e Tribunal de Contas do Estado (TCE), os policiais entraram na Assembleia Legislativa para pressionar a aprovação de uma lei complementar que regulamente a aposentaria especial, por 30 anos de contribuição e sem limite de idade, e o PCS.
De acordo com Eyrimar Bortot, um dos coordenadores do Movimento Operação Padrão, a categoria já vem reclamando desde o ano passado, mas os canais de comunicação para a negociação foram fechados. "A comissão formada pela Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) para discutir o assunto só dialoga com o sindicato que nós não reconhecemos", argumenta.
Na semana passada, o Tribunal de Contas da União (TCU) declarou por unanimidade a recepção da lei complementar número 51/85, sobre a aposentadoria após 30 anos de serviço, sendo, ao menos, 20 dedicados a atividades estritamente policiais. Como está hoje, os agentes estão sujeitos a situações como a de Silvana Ladeira. Após três décadas como investigadora de 1ª classe, ela conseguiu a sonhada aposentadoria. Mas, sem a idade mínima -55 anos para mulheres- ela foi chamada novamente ao serviço, no entanto diz se sentir despreparada para a função depois de quatro anos sem fazer atualizações.
Outro problema levantado pelos organizadores do protesto é a falta de estrutura e de quadro funcional. No opinião do presidente do Sindipol, a situação do interior do Estado é ainda mais precária. "Metade do efetivo está na Capital. O salário é o mesmo, mas no Interior, por causa da falta de gente a situação é bem mais difícil", diz Batista.
Em contrapartida, o presidente do Sindicato das Classes Policiais Civis do Paraná (Sinclapol), Paulo Martins, informou que um documento com as mesmas reivindicações do
Sindipol será entregue ao governador do Estado no dia 7 de abril. A carta reúne os resultados de dois anos de reuniões entre o Sinclapol, a Secretaria de Estado da Administração, a Sesp, a Paraná Previdência e o Departamento da Polícia Civil.
Sobre as manifestações organizadas pelo Movimento Operação Padrão, Martins diz que o grupo, mesmo apoiado pelo Sindipol, não teria legitimidade para representar a categoria como um todo. A Sesp informou que não irá comentar as solicitações dos manifestantes.


