Curitiba - Policiais civis de Almirante Tamandaré, na Região Metropolitana de Curitiba, recentemente afastados das investigações envolvendo o assassinato de mulheres na cidade, já foram acusados de tortura contra o funcionário público Ademir Pires da Rocha, 46 anos. Rocha foi preso sob a acusação de ter cooperado no assassinato e esquartejamento do também servidor público João Antônio Leonardo.
O crime teria ocorrido no dia 27 de novembro de 1999. A confissão ocorreu no dia 16 de março de 2000, dia em que Rocha garante ter sofrido torturas física e psicológica. Em um ofício enviado à Corregedoria da Polícia Civil e para a Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal, o funcionário público relata que foi preso no dia 10 de março de 2000 e resolveu resguardar seu direito de falar somente em juízo.
No dia 16 pela manhã, ele teria sido levado de carro para uma represa próxima ao município de Rio Branco do Sul. Três motos e dez carros descaracterizados teriam acompanhado os policiais civis até o local. O investigador Paulo Roberto Mesquita e o atendente de segurança Luiz Antônio Alves da Silva, o ‘‘Luizão’’ – preso por suposta participação na morte de mulheres no município –, teriam iniciado uma sessão de tortura para que ele confessasse o crime.
Ele teria sido afogado na água da represa, levado choques nos testículos e teria sido sufocado com sacos plásticos. ‘‘Fui alvo de inúmeros golpes com pedaços de pau além de socos na boca, principalmente por parte do Luizão que chegou a me quebrar um dente’’, relatou.
As torturas teriam culminado na confissão formal feita para o escrivão Alessander Perin Pimenta, acusado por Rocha de conivência e assinada pelo delegado Rogério Haisi. Pimenta também está preso acusado de envolvimento na morte de mulheres de Tamandaré. Já Haisi foi afastado da delegacia local por suposta omissão.
No inquérito policial, já concluído e remetido para Justiça, Rocha é acusado de homicídio e de co-autoria na ocultação de cadáver com a viúva Orlinda de Lima Leonardo. Os dois teriam um relacionamento. Os ossos de João Leonardo foram encontrados dentro de um saco plástico no terreno da casa de Orlinda. Na ocasião, ela acusou o amante de ter dado os dois golpes de machadinha que teriam matado João Antônio.
A irmã de Ademir Rocha, Lucina Pires da Rocha, ainda acredita na absolvição do irmão. ‘‘Tenho esperança que agora que os fatos de Almirante Tamandaré começaram a aparecer, ele seja absolvido’’, disse. ‘‘Deus queira que tudo isso acabe logo, senão quem vai morrer sou eu.’’
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que investigou a morte de mulheres em Almirante Tamandaré, revelou que há seis anos a falta de estrutura da delegacia e o crescimento da criminalidade vinham sendo denunciados pelos delegados de polícia. Em 1996, o delegado Joel Bino de Oliveira enviou um ofício para a Divisão Policial do Interior contando que tinha apenas oito investigadores e um escrivão na delegacia e que necessitaria de pelo menos mais quatro investigadores e três escrivães para poder desenvolver um bom trabalho na região. Hoje, seis anos depois, a estrutura militar e civil não é muito diferente.

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