'Policiais' baleados em abordagem
AÇÃO DESASTRADA Policiais baleados em abordagem Mauro FrassonCleverson da Silva e Josemar dos Santos foram presos em flagran te James Alberti De Curitiba Dois auxiliares administrativos da Delegacia de Alto Maracanã, em Colombo, Região Metropolitana de Curitiba, foram baleados na cabeça ontem, depois de uma prisão desastrada. Os disparos foram feitos a menos de um metro de distância, pelo pedreiro Cleverson Santos da Silva, 18 anos, que tinha acabado de cheirar solvente. Zeferino Ribeiro, 51 anos, teve morte cerebral no final da tarde de ontem. O outro funcionário, Antônio Ferreira Padilha, estava internado em estado grave. Pela função que exercem, eles não poderiam participar de ação com a que lhes custou os ferimentos. Ambos podem fazer apenas trabalhos internos, sem contato direto com marginais. Além disso, os auxiliares administrativos entraram numa residência sem mandado. Um investigador da Delegacia de Almirante Tamandaré disse que os auxiliares foram chamados pelo dono da casa quando estavam no estacionamento da delegacia. No Quartel da Polícia Militar, o pedreiro Cleverson Silva disse ter disparado contra os funcionários depois de ser espancado. Ele já havia sido preso e tinha um dos braços algemado ao braço do lavador de carros Josemar dos Santos, 19 anos, que também tinha sido preso. Por causa de uma revista descuidada, Silva ainda mantinha um revólver calibre 38 na cintura. Os dois estavam sentados no banco traseiro do carro dos policiais. Conforme Silva, Zeferino Ribeiro, conhecido por Bradock, lhe dava socos no rosto, enquanto lhe fazia ameaças. Eu ia entregar a arma, mas ele começou a me bater. Comecei a ficar irritado e com medo, daí disparei, contou. Os disparos foram feitos de dentro do carro. Policiais militares do 17º Batalhão da Polícia Militar faziam ronda no bairro e ouviram os tiros. Quando chegaram no carro, um dos acusados ainda estava dentro do veículo. Silva e Josemar foram presos em flagrante. Ambos afirmaram ter sido espancados por policiais civis e militares, dentro da Delegacia de Alto Maracanã. Os dois tinham sinais evidentes das agressões, principalmente, no rosto. O delegado Iberê Tomiolo, da Delegacia de Alto Maracanã, foi procurado pela Folha, mas não foi encontrado.





