Curitiba

Marcelo AlmeidaAmeaçaCarro de Yamashita ficou bastante amassado durante a tentativa de fuga. Tiro furou o pará-brisa e atingiu o bancárioO bancário Ronaldo Yamashita, 32 anos, foi baleado na cabeça anteontem à noite, em Curitiba, durante abordagem policial irregular. Ferido de raspão, ele deve ser liberado hoje pelo Hospital Evangélico. Os quatro agentes envolvidos na operação vão ser investigados em inquéritos criminal e administrativo. Eles continuam na ativa até a próxima terça-feira, quando o Conselho da Polícia Civil se reúne para determinar um possível afastamento.
Tudo aconteceu por volta das 22 horas. Yamashita estava em seu Escort com a mulher, Priscila. O casal conversava com a amiga Nilzane Maciel, parada junto ao veículo e em frente de sua casa, na Rua Ângelo Sampaio, bairro Champagnat. ‘‘Os policiais pensaram que ela ia roubar o carro e decidiram abordar’’, disse o delegado Kyoshi Hatanda, do 3º Distrito Policial, onde os agentes Raul Mattar, Valdomiro Costa, Antônio Lopes e Elias Stephan estão lotados.
Nilzane se assustou porque um dos policiais tinha o rosto coberto por uma touca. Como o carro da Polícia estava descaracterizado, ela pensou que era um assalto e se jogou dentro do Escort através da janela. Apavorado, Yamashita deu ré. Mattar disparou para o alto e em direção do veículo, que bateu no muro de um terreno baldio, quase na esquina com rua Padre Agostinho. Um tiro acertou de raspão a cabeça do bancário, que foi levado para o hospital.
‘‘Os agentes deveriam ter acionado o giroflex (luminoso giratório), ligado a sirene e se identificado para que a abordagem fosse correta, o que não aconteceu’’, explicou o delegado da Divisão Policial da Capital, Marco Aurélio Lagana. ‘‘Os disparos (oito no total) também foram desnecessários’’, acrescentou. O advogado de Yamashita, Édson Abdalla, anunciou ontem que vai entrar com representação criminal contra os policiais.
‘‘Meu cliente está bem, mas ainda chocado com o episódio’’, contou Abdalla. ‘‘Ele jamais esperava ir ao cinema, deixar a amiga em casa e depois receber tiros’’, completou. Lagana adiantou que o Gol descaracterizado é uma viatura oficial e fazia parte de uma missão de rotina (ronda). ‘‘O delegado especial Jorge Ferreira também vai apurar o envolvimento de um suposto informante no caso’’, revelou.
Memória - Um dos agentes do 3º DP que participaram da abordagem, Elias Stephan, foi suspenso por 90 dias no ano passado devido a envolvimento em caso de extorsão. A operação que resultou no ferimento de Yamashita se soma a outros quatro crimes com policiais responsabilizados neste ano. Em abril, o investigador Augusto Paredes atropelou e matou um funcionário público. No mês seguinte, a equipe do 12º DP montou uma farsa para esconder a morte do universitário Rafael Zanella. Um detetive sequestrou e matou o empresário Marco Fracaro em junho. Em julho, dois agentes assassinaram o delegado Jaime Castro.

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