Policiais apontam fatores de estresse na profissão
Policiais apontam
fatores de estresse
na profissão
O trabalho desenvolvido pelas psicólogas junto ao 5º Batalhão da Polícia Militar de Londrina foi feito em várias etapas. Na primeira, foram feitas entrevistas extremamente detalhadas com 80 policiais de todas as patentes, idades, escolaridade e tempo de serviço. As entrevistas procuravam abranger tudo, do trabalho à família. Procuramos fazer um mapeamento do cotidiano dentro e fora do quartel, diz a coordenadora do projeto, Mari Nilza de Barros.
A partir deste primeiro mapeamento, passou-se para o levantamento dos fatores estressantes, necessidades e dificuldades do grupo. Na terceira fase, as psicólogas trabalharam com 50 soldados e 15 oficiais, divididos em grupo de sete pessoas, com reuniões semanais por dois semestres seguidos. O objetivo, detectar as dificuldades pessoais e particularidades da profissão. A dificuldade maior, segundo a coordenadora, foi conquistar a confiança dos policiais para que eles se abrissem, reprimidos que são pelo regimento.
De acordo com as psicólogas, no estudo foram detectados vários fatores estressantes na profissão e que podem acabar servindo como detonadores de violência. Um deles é a própria imprevisibilidade no trabalho e outro a falta de informações. Quando recebem uma solicitação de serviço, eles saem nas viaturas com o mínimo de informações. A vítima às vezes está tão angustiada que, quando liga não tem condições de dar informações completas. Os policiais não sabem o que vão encontrar, se vão ter que matar ou morrer, explica Mari Nilza.
A ambiguidade na relação com a comunidade também foi apontada como uma das causas de tensão pelas psicólogas. A própria comunidade cobra a truculência policial, desde que não seja eu o alvo da violência policial, afirma Solange Mezzaroba.
O estudo mostrou também que o nível de estresse entre oficiais é mais alto que entre os soldados. Estes teriam, pelo menos, a oportunidade de participar de ações, o que faria diminuir um pouco a tensão. O oficial, por sua vez, não tem esta válvula. E tudo que acontece de bom ou de ruim, reflete sobre ele. O problema então está na corporação como um todo, acredita Mari Nilza. A rotatividade no comando do batalhão foi lembrada pelas psicólogas como fator estressante em todos os níveis.
Para as psicólogas, é necessário que as atividades psicoterapêuticas fossem inseridas na rotina da profissão militar. Hoje, se um policial mata alguém ou vê um colega seu morrer em cumprimento do dever, não acontece nada. No outro dia, ele está trabalhando normalmente. Mas isto deixa sequelas, afirma Mari Nilza. Segundo elas, o acompanhamento psicoterápico seria uma forma preventiva para evitar ações negativas e de extrema violência. Infelizmente, o único serviço psicológico que eles têm está em Curitiba, aponta Romilda.





