Paulo Ubiratan
De Londrina
O Sindicato das Classes Policiais Civis do Paraná (Sinclapol) e o Sindicato dos Policiais Civis de Londrina (Sindipol) se unem para exigir melhores salários e condições de trabalho. Segundo manifesto assinado pelo presidente do Sinclapol, Luis Bordenowski, até o final deste mês a classe dará início a uma operação-padrão, denunciando irregularidades que estariam acontecendo na Polícia Civil do Paraná, gerando descontentamento na categoria.
Os três tópicos básicos do manifesto estão fundamentados nas promessas não cumpridas pelo governo do Estado, entre elas, a implantação do Plano de Cargos e Salários da categoria. Os sindicatos acusam a locação de viaturas de empresas privadas por preços elevados e o desvio do dinheiro arrecadado pelo Fundo Especial de Reequipamento da Polícia Civil (Funrespol). Segundo Bordenowski, em 1998, o fundo arrecadou R$ 4,5 milhões e o governo ficou com R$ 3,85 milhões, repassando apenas R$ 650 mil para a polícia.
Bordenowski disse à Folha que este valor, que ficou nos cofres do governo do Estado, daria para comprar 257 viaturas no valor de R$ 15 mil cada uma, possibilitando equipar com carros aproximadamente 200 delegacias. O presidente soube também, junto ao Funrespol, que os R$ 650 mil foram usados exclusivamente para reformar e consertar delegacias do interior e de Curitiba e nenhuma viatura foi comprada.
‘‘Não podemos entender como isto pode acontecer, quando se sabe que os carros alugados estão custando em média, ao governo, de R$ 1,5 mil a R$ 5 mil. Estes valores são mais caros que uma mensalidade de leasing com carros top de linha. Nós queremos saber do senhor secretário de Segurança (Cândido Martins de Oliveira) como foram feitos estes contratos de locação e onde está sendo empregado o dinheiro desviado do Funrespol’’, afirmou Bordenowski. Conforme lei estadual, o dinheiro do Funrespol pode ficar nos cofres do governo como Receita Vinculada, e seria repassado na medida que fosse necessária para reequipar a Polícia Civil.
O presidente do Sinclapol afirmou ontem que pediu à Secretaria de Segurança a documentação das operações com a verba do Funrespol e as cópias dos contratos de locações. Bordenowski afirmou que, caso não seja atendido, irá requisitar judicialmente os documentos. O secretário Cândido Martins de Oliveira, por intermédio de seu assessor de imprensa Valdir Bicudo, disse que não tem nada a esconder a respeito das locações de viatura e onde está sendo empregada a verba arrecadada do Funrespol. ‘‘Qualquer pessoa tem o direito de pedir estes documentos, sem problemas. Para isto, basta nos procurar aqui na Secretaria de Segurança, pois com muito prazer atenderemos o pedido’’, disse Bicudo.
A presidente do Sindipol, Solange Pinheiro de Freitas, disse que, em Londrina, além destas irregularidades apresentadas pelo Sinclapol, existe o problema das contratações terceirizadas de pessoal que, segundo ela, não possui nenhuma condição para trabalhar.

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