Policiais acusados de corrupção voltam às ruas com habeas corpus
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 12 de agosto de 1998
Andrea Vendramini 
Policiais civis das delegacias de Almirante Tamandaré e Colombo, na região metropolitana de Curitiba, acusados de participar de uma quadrilha que roubava carros e de extorquir dinheiro das vítimas para devolver os veículos estão nas ruas. Depois de ficarem presos por cerca de 60 dias na Divisão de Segurança e Informações da Polícia Civil (DSI), Jair César Nunes, 34 anos, Carlos Roberto dos Santos, 33 anos, e Amarildo da Silva, 33 anos, estão soltos desde sexta-feira, beneficiados por habeas corpus.
Segundo o delegado adjunto da DSI, Carlos Madureira, os informantes da polícia Eliezer Bacim, 33 anos, e Valdecir Brito de Castro, 36 anos, envolvidos no caso, continuam presos na Prisão Provisória de Curitiba. Os dois também participaram de um tiroteio com a polícia na Praça 19 de Dezembro, no mês de julho, quando policiais do Grupo Tigre planejaram uma ação especial, depois de uma denúncia de extorsão.
Apesar da gravidade das acusações, o caso parece estar recebendo pouca atenção. Ninguém soube informar onde está tramitando o processo criminal dos cinco envolvidos. A Central de Inquéritos da Polícia Civil é responsável apenas pelo processo que envolve a análise de 83 fitas cassete resultantes de escuta telefônica instalada na Delegacia de Almirante Tamandaré, cujo conteúdo poderia comprovar o envolvimento dos cinco acusados. A escrivã Ana Mescedes informou que as fitas estão sendo analisadas por um perito criminal. O processo relacionado ao pedido de prisão preventiva dos policiais não se refere às fitas, mas ao episódio da Praça 19 de Dezembro, disse.
A escrivã informou que o processo estaria na 10ª Vara Criminal, mas segundo uma atendente, somente o processo que envolve o informante Eliezer Bacim está registrado nesta vara, indicando, porém, que ele não estaria preso.
O corregedor Renato de Souza Lobo disse que não sabia que os policiais acusados já estavam soltos. Segundo ele, o processo criminal poderia estar na Central de Inquérito ou na 10ª Vara Criminal.


