Moradores do Jardim Nossa Senhora da Paz e Favela Pantanal, na zona oeste de Londrina), enfrentaram ontem mais um dia de violência explícita. A briga entre gangues rivais deixou ferida uma menina de 13 anos, atingida por três disparos na perna direita. Uma equipe de TV que fazia a cobertura da ocorrência, no Jardim Nossa Senhora da Paz, também foi recebida à bala quando colhia imagens no local. Em blitze nos dois bairros, no final da tarde, a Polícia apreendeu três menores. Eles estavam sendo ouvidos no 3º Distrito Policial até o fechamento desta edição.
Conforme o delegado do 3º DP, Marcelo Sakuma, a confusão teve início pouco depois das 10 horas, quando um menor conhecido por ''Rafinha'', morador da favela Pantanal, foi até a comunidade vizinha e disparou contra a menor B.D.S. A menina foi atendida no Pronto-Socorro da Santa Casa de Londrina com três perfurações na perna direita e está fora de perigo. A menor não foi ouvida ontem pela Polícia mas, segundo o delegado, ela teria sido atingida por engano.
Menos de uma hora depois, uma equipe de reportagem de uma rede de televisão da cidade foi recebida à bala enquanto fazia imagens de um grupo de jovens numa rua do Nossa Senhora da Paz. O cinegrafista registrou o momento em que um jovem em uma moto sacou de um revólver e disparou contra a equipe. Nem mesmo a viatura da PM que fica diariamente na favela intimidou os adolescentes.
No final da tarde, doze policiais em quatro viaturas da Polícia Civil fizeram diligências nas duas favelas. Eles procuravam suspeitos de terem participação nos fatos, ''aparentemente todos menores''. ''Trata-se de briga entre gangues rivais das favelas'', comentou Sakuma.
Foram até a residência de ''Rafinha'', na favela Pantanal, mas não conseguiram localizá-lo. Os policiais tiveram mais sorte na favela vizinha, onde apreenderam três adolescentes, todos fichados na Polícia e no Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Infrator (Ciaadi). Dois dos três menores apreendidos haviam sido identificados até o fechamento da edição: T.F.S. e D.R. as idades não foram fornecidas. O terceiro adolescente não portava documentos.
À noite, os três foram levados até o Instituto de Criminálistica (IC), onde passaram por exame residual de pólvora nas mãos. Sakuma afirmou que só poderia mantê-los sob guarda caso houvesse a comprovação pericial. Hoje, o delegado deverá voltar ao local na tentativa de localizar outros envolvidos.
O chefe de reportagem da rede de televisão, em Londrina, Ossamu Nonaka, disse que ''a preocupação da empresa não é só com a segurança das equipes de reportagem, mas com o terror que vive a comunidade que mora nesses locais''. Ele afirmou que a comunicação do fato ''seria via os telejornais'' da emissora.

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