Autoridades policiais e a diretoria da Sociedade Rural do Paraná analisaram ontem a ação dos sem-terra que na manhã do domingo atiraram contra o segurança José Lopes de Oliveira, 35 anos, conhecido como ‘‘Django’’, morto com um tiro na cabeça, e espancaram Edson Lucena, 22. Eles estiveram na TV Londrina assistindo às fitas de vídeo gravadas por equipes de jornalismo. ‘‘Houve violência dos dois lados’’, disse o delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial, Leonyl Ribeiro.
O delegado viu as imagens feitas no sábado, quando seguranças contratados pelo arrendatário Pedro Ribeiro foram retirar as famílias invasoras. ‘‘Ribeiro fazia ameaças com um revólver, tocando o pessoal de lᒒ, comentou o delegado. Também viu a ação de Django, que dizia estar lá para ‘‘fazer cumprir a Justiça’’.
No sábado, 30 famílias que ocupavam áreas da fazenda foram removidas. No domingo pela manhã, quando a equipe da TV Londrina chegou ao local, encontrou cerca de 30 sem-terra armados na entrada da fazenda. ‘‘Eles pediram para a gente ver se tinha muitos seguranças lᒒ, contou o cinegrafista Roni Oliveira.
Como não encontrou ninguém na sede, a equipe foi até a casa do administrador. Ao se aproximar da casa onde estavam os dois seguranças, escutaram gritos e tiros dados para o alto pelos sem-terra. O grupo cercou a casa, onde estavam, além dos dois seguranças, o caseiro, a mulher e duas crianças. Foram disparados três tiros. Um deles atingiu a cabeça de Django. As imagens feitas no interior da casa mostram um sem-terra espancando o outro segurança, Edson Lucena. ‘‘Sem-terra é vagabundo ou não é?’’, gritava, apontando a arma para Lucena. Em seguida, ele espanca o segurança com o cabo da arma. ‘‘Não filma não’’, grita para o cinegrafista.
Com 338 alqueires, a fazenda Borborema, de Chaufic Burihan, 70 anos, foi ocupada em setembro do ano passado por cerca de 80 famílias. O juiz da 4ª Vara Cível de Londrina, Mário Nini Azzolini, concedeu liminar de reintegração de posse, cumprida um mês depois. Os sem-terra transferiram o acampamento para a beira da estrada que dá acesso à fazenda. Em dezembro do ano passado, quando os sem-terra retornaram à sede, o advogado de Burihan pediu o revigoramento da liminar, pela reincidência da prática de esbulho possessório.
Como o novo juiz da 4ª Vara, que substituiu Azzolini, não confirmou a decisão anterior, o advogado Júlio Salinet decidiu recorrer ao Tribunal de Alçada, que fez revigorar a liminar de reintegração de posse. No dia 8 de janeiro, oficiais de Justiça estiveram na fazenda, para fazer cumprir a liminar. Nada conseguiram. ‘‘Por causa do esquema burocrático, a ordem para que a PM fizesse cumprir a liminar não saiu até hoje’’, diz Salinet.

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