Polícia vai investigar morte de idosos
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terça-feira, 09 de março de 2004
Fábio Galão<br>Reportagem Local 
O delegado do 4º Distrito Policial (DP) de Londrina, José Arnaldo Peron Martins, informou ontem que irá abrir inquérito para investigar a morte de Carlos Nélson Piller, 90 anos, e Lourdes Maria Silva Alves, 87. Os dois idosos moravam no asilo Ebenézer, localizado no Jardim Itapoá (Zona Sul), e foram hospitalizados depois que o local foi fechado por determinação da Justiça, na semana retrasada. Dias depois, faleceram.
Segundo informações da chefia de enfermagem do Hospital da Zona Norte (HZN), a causa da morte de Piller foi uma anemia profunda. Já Lourdes faleceu no Hospital da Zona Sul (HZS), cuja diretoria clínica informou que a idosa foi vitimada por peritonite (infecção na região abdominal) e insuficiência renal. Ela tinha problemas renais crônicos e estava com forte diarréia quando foi hospitalizada.
O fechamento do asilo foi determinado a partir de relatórios da Vigilância Sanitária municipal, do Conselho Regional de Enfermagem (Coren) e do Ministério Público (MP), que apontaram que o Ebenézer não contava com um número suficiente de profissionais qualificados para atender os idosos e tinha problemas de estrutura e de higiene.
O promotor de Defesa do Idoso, Tiago de Oliveira Gerardi, requisitou investigação policial para que seja apurado se Piller e Lourdes faleceram em decorrência de uma eventual negligência no atendimento. Segundo Peron, depois de serem cumpridos os trâmites burocráticos para a abertura do inquérito, familiares dos idosos e representantes das entidades que apresentaram relatórios sobre o Ebenézer prestarão depoimento, o que deve acontecer entre o final desta semana e o início da próxima.
Depois, serão ouvidos os enfermeiros do asilo e os diretores da organização não-governamental (ONG) Aliança, que administrava o Ebenézer. O pastor Cloves José de Pinho, presidente da ONG, negou que tenha havido negligência no atendimento. Quando foi fechado, o Ebenézer abrigava outros 35 idosos, que foram encaminhados para familiares ou para outras casas de convivência. Ontem, Pinho disse que a reforma do asilo, uma das exigências para que a entidade seja reaberta, está parada.
''Não temos dinheiro para as obras. A prefeitura cortou os repasses e não temos mais a contribuição da aposentadoria dos idosos que moravam no asilo'', afirmou Pinho. O pastor comentou que vereadores se comprometeram a tentar angariar recursos junto ao poder executivo para a reforma, e que uma reunião para discutir o fechamento do Ebenézer foi marcada para o dia 22.
A vereadora Sandra Graça (PDT), presidente da Comissão de Direitos Humanos e Defesa da Cidadania da Câmara, disse ontem que o que ficou combinado é que os vereadores receberão na reunião do dia 22 um relatório da ONG que apontará os custos da reforma. A partir do documento, será pleiteado um crédito adicional junto à prefeitura para as obras. (Colaborou Adriana Savicki)


