Polícia vai cadastrar ‘flanelinhas’
Anna Camanducaia
A Polícia Civil iniciou ontem à tarde a Operação EstaR - determinada pelo secretário de segurança Rubens Tanure -, para cadastrar, até o final do ano, os guardadores de carro que atuam em Curitiba e Região Metropolitana.
Sete carros, com 14 policiais e três delegados, fizeram a ronda no Centro da capital. Em 1991, havia 99 guardadores de carro em Curitiba. A polícia acredita que este número tenha dobrado. A operação identificará os ‘flanelinhas’ e levantará seus antecedentes. ‘‘Muitas vezes, os guardadores de carro cometem crime de extorsão e ameaçam os motoristas que não dão dinheiro a eles’’, diz o delegado Fauze, do 7º Distrito Policial, na Vila Hauer. Há também a suspeita de que muitos estejam envolvidos no roubo de carros.
Na Praça Osório, Daniel Gonçalves dos Santos, de 38 anos, foi abordado pela polícia. Ele trabalha há 20 como guardador de carro e diz que deixa o valor da gorjeta por conta dos motoristas. Santos disse que ganha R$ 300,00 por mês para sustentar q mulher e três filhos. ‘‘Optei por esse trabalho por causa do desemprego’’, disse. Ele disse que concorda com a operação: ‘‘Só assim pode acabar a bandidagem que existe nesta praça.’’
Na Rua Frei Caneca, ao lado da Santa Casa, o vendedor de travas para carro Antonio Paulino da Silva, de 37 anos, e os guardadores de carro Renato Gomes, de 27, e Vanderlei Brito, de 45, também foram levados para a delegacia por falta de documentos. Silva estava bêbado. Renato é suspeito de ameaçar os motoristas com uma arma. Ele negou a acusação: ‘‘Só estou aqui para defender o leite das minhas crianças e não tenho os documentos porque já os perdi um monte de vezes.’’

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