Sertanópolis A Polícia Civil abriu inquérito para apurar a reclamação de três pescadores profissionais que tiveram o material de trabalho apreendido pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP). Eles alegam que os fiscais teriam desconsiderado a documentação que autoriza a atividade.
As apreensões ocorreram há cerca de dez dias em Sertanópolis (40 km ao norte de Londrina), em uma localidade conhecida com Ponte Caída (à margem do Rio Tibagi). Os pescadores José de Souza Pinto (o ''Zé Pescador''), Carlos Pereira Gomes (o ''Carlinhos'') e Valdomiro Viel mantinham redes de pesca armadas na região. Segundo eles, fiscais teriam apreendido nove redes mesmo estando com cartões de identificação. ''Decidimos acionar a Justiça porque foi a terceira apreensão de material meu. Tenho tudo legalizado e já perdi dez redes'', criticou Carlinhos, lembrando que cada rede custa em média R$ 120,00.
Os três conversaram com a promotora Ângela Maria Mailan Zamariam, que os encaminhou para o delegado Adriano Ribeiro para que colhesse os depoimentos. ''Um inquérito policial já foi instaurado. As investigações serão acompanhadas pelo Ministério Público'', informou a promotora.
A reportagem teve acesso aos documentos de Carlinhos e Zé Pescador e verificou que a carteiras teriam validade, respectivamente, até julho de 2005 e julho de 2006. Além de gastar R$ 10,00 para fazer a renovação, o pescador profissional precisa integrar uma colônia de pesca, cuja ''carteirinha'' custa R$ 70,00. ''Gastamos o pouco dinheiro que temos tentando andar dentro da lei e os documentos acabam não valendo nada. Quero acreditar que houve uma confusão por parte dos fiscais'', comentou Zé Pescador. Ele garantiu ainda que as redes apreendidas estavam dentro do padrão.
A apreensão foi realizada por fiscais do IAP de Cornélio Procópio. O chefe do órgão, José Mariano de Macedo, confirmou que uma equipe apreendeu material na região, porque ela estava irregular. ''Não adianta ter a plaqueta de identificação e estar armada irregularmente. A recomendação é que o dono (das redes) esteja próximo ao local para deixar claro que não seriam terceiros usando o equipamento'', afirmou.
O chefe do IAP destacou ainda que só duas pessoas estavam no local. Uma delas foi o Carlinhos, cujo material identificado não teria sido apreendido. ''Se o Carlinhos teve algum material apreendido é porque não estava com a identificação. Os pescadores podem reaver as redes se estiverem em dia com a documentação, mas levarão pelo menos uma advertência'', comentou.

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