Polícia usa violência e reprime rebelião
Uma ação rápida e violenta do Pelotão de Choque da Polícia Militar (PM) acabou com uma rebelião na Penitenciária Estadual de Londrina (PEL), ontem pela manhã, antes mesmo que a direção chegasse a negociar com os presos. O motim começou por volta das 9 horas, durante festa de confraternização realizada para os presos que frequentam as aulas do Núcleo Avançado de Ensino Supletivo. Onze pessoas, sendo cinco agentes penitenciários e seis professores, foram tomadas como reféns e saíram feridas. Doze presos também ficaram machucados. Essa foi considerada a mais grave rebelião na PEL desde a sua inauguração, em 1994.
Segundo o diretor da PEL, Dyson Ferreira de Pinho, a rebelião foi liderada por um grupo de presos que veio da Penitenciária Central do Estado (PCE), em junho. Eles foram transferidos depois de participar de rebeliões na PCE e reivindicavam o retorno para Curitiba. Mas as negociações nem chegaram a começar.
Aproximadamente 100 dos 370 presos da PEL participaram do motim, armados com estoques e pedaços de madeira. Representantes do Centro de Direitos Humanos (CDH), que estiveram ontem na penitenciária afirmaram que seriam 20 os presos feridos. Moradores vizinhos à PEL disseram que ouviram diversos disparos e explosões.
Dyson justificou que a ação do Pelotão de Choque evitou que a rebelião tomasse maiores proporções. A iniciativa, segundo ele, foi repreendida pela Secretaria de Segurança, pois a convocação da PM só poderia ser feita por ordem do secretário José Tavares. O comandante do Grupo de Operações Especiais da Polícia Militar, tenente João Rodrigues Feitosa, que liderou a operação, disse que 27 policiais participaram, sendo cinco do Grupo de Operações, um do canil com um cão e os demais do pelotão. No momento da rebelião, os policiais estavam fazendo vistoria de rotina na Prisão Provisória de Londrina (PPL), que fica ao lado da penitenciária, quando foram chamados.
Segundo a relações públicas do 5º Batalhão da Polícia Militar (5º BPM), aspirante Roberta Mildemberger, o pelotão atendeu uma solicitação do diretor da PEL, Dyson de Pinho, para intervir na rebelião. Quando os policiais entraram na penitenciária, presenciaram os rebeldes agredindo os reféns, o que os levou a utilizar a força. A ação veio a calhar, pois impedimos uma rebelião com consequências mais sérias, afirmou.
Os principais líderes dos presos envolvidos na rebelião, segundo o agente penitenciário Luciano Pereira dos Santos, seriam Cláudio Soares da Cunha, João Maria de Paula, Edvaldo Mucchini, Clodoaldo Leão, Agnaldo Gomes da Silva, Wilson da Silva, Cidinei Constantino da Silveira, Claudinei Rodrigues e Cleianderson Caetano.
Até o final da tarde de ontem, a direção da penitenciária não sabia explicar como a rebelião teria iniciado. A Folha apurou que os presos que trabalhavam na sala de artesanato renderam os dois agentes que faziam a segurança do local. Um deles, Vanderlei Vitti Fernandes, foi jogado de uma escada interna, com aproximadamente três metros de altura. Um grupo de seis presos teria chegado ao telhado do presídio após arrancar parte da grade de proteção, na sala de artesanato.
Os presos desceram para as salas térreas do pavilhão e arrebentaram o portão que dá acesso à escola, rendendo os professores que organizavam a festa. Os professores teriam sido usados como barreira para evitar a ação da polícia. Uma das professoras era ameaçada com um estoque no pescoço, quando a polícia entrou na sala, atirando para o alto com balas antimotim (balas de borracha).
Segundo o tenente Paulo Henrique de Souza, oficial de área do Corpo de Bombeiros, duas viaturas do Siate atenderam, no interior da PEL, quatro pessoas com ferimentos mais graves, que foram encaminhadas para o Hospital Universitário, mas nenhuma delas corria risco de vida. Os agentes foram atendidos no Hospital da Zona Sul.





