Curitiba

Albari RosaInterceptaçãoPolícia recolheu 24 caixas do remédio Hepalin na farmácia NoturnaA apreensão em Curitiba de medicamentos roubados em São Paulo pode ajudar a polícia a desmantelar uma quadrilha especializada em roubar este tipo de carga. Nesta semana, uma equipe da 1ª Delegacia de Furtos e Roubos (DFR) recolheu 24 caixas do remédio Hepalin na farmácia Noturna, no Centro de Curitiba. Os policiais descobriram que era parte de uma carga de medicamentos roubada em Taboão da Serra (SP), há 15 meses.
As investigações concluíram que as caixas de Hepalin (medicamento indicado para o tratamento de problemas no fígado) estavam no caminhão do Laboratório Químico Farmacêutico Bergamo, roubado no dia 5 de agosto de 1996, com carga avaliada em mais de R$ 700 mil. ‘‘Tudo tem sido vendido em pequenos lotes para receptadores do Brasil inteiro’’, afirma o delegado Gerson Machado, da DFR.
O proprietário da Noturna, João Michael Junquert, foi indiciado por receptação culposa (involuntária). Ele disse que comprou os remédios Hepalin e Deplax (anti-depressivo) de Armando Ceranto e Almir Araújo. Todas as caixas de Hepalin guardadas na farmácia foram apreendidas. Quanto ao Deplax, Junquert teria dado o medicamento como parte de pagamento a uma distribuidora de Curitiba.
Os investigadores da DFR foram atrás dos ‘vendedores’ dos remédios roubados e constataram que ambos utilizavam notas fiscais ‘frias’ para dar uma impressão de legalidade aos negócios. As notas eram de uma farmácia de Ceranto, que funcionava em Balneário Camboriú (SC) e não existe mais. A dupla acabou indiciada por receptação dolosa (intencional).
Embora os três indiciados tenham conseguido o direito de responder ao processo em liberdade, houve avanços na investigação. Isso foi possível com a prisão de Ronaldo Camilo Reis, em Jataizinho (Norte do Paraná). Ele estava com mais de 20 mil cartelas de comprimidos também pertencentes ao lote A0250, roubado do laboratório paulista Bergamo.
Com base no depoimento de Camilo, os policiais puderam avaliar a extensão da quadrilha. ‘‘Há indícios de que os medicamentos foram vendidos em Cornélio Procópio e Ribeirão do Pinhal’’, conta Machado. Enquanto estiveram detidos, Ceranto, Araújo e Camilo trocaram acusações sobre a responsabilidade da posse da carga. ‘‘Eles sabem quem roubou o caminhão’’, supõe o delegado.
Para seguir o rastro da quadrilha com maior precisão, os policiais pedem que os donos de farmácias informem possíveis compras de medicamentos roubados da Bergamo. ‘‘Se porventura isso aconteceu, os comerciantes podem entrar em contato conosco pelo telefone (041) 262 2800 para que os remédios sejam restituídos ao laboratório’’, avisa Machado.

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