Polícia tenta ouvir pessoas que viram menor antes da morte
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quarta-feira, 01 de abril de 1998
Alexandre Sanches 
A morte do estudante Heliton José de Souza, 12 anos, cujo corpo foi encontrado no dia 23 de março em um fundo de vale na periferia de Arapongas (37 km a oeste de Londrina), ainda é um mistério para a polícia e população. As polícias Civil e Militar - que mantêm uma equipe da P2 auxiliando nas investigações - estão tendo dificuldades para localizar as testemunhas que viram Souza e outras pessoas minutos antes dele ser morto, provavelmente no dia 21 à noite.
O corpo do estudante foi encontrado boiando num córrego, dois dias após ele ter desaparecido de casa, na Vila Aparecida. Ele apresentava cortes na cabeça e no abdômen, além de suspeitas da família de que ele tenha sido submetido à violência sexual.
Moradores do bairro comentaram com a família que viram dois rapazes descerem em direção ao fundo de vale, logo após o estudante e um amigo (o nome não foi divulgado) terem seguido naquela direção. Minutos depois, o amigo do estudante voltou para o bairro sozinho.
O delegado José Carlos Bassalubre disse que estas informações estão sendo investigadas, mas a população não tem colaborado com a polícia. O maior problema é que as pessoas comentam abertamente o que viram no dia 21. Mas basta a polícia buscar estas informações que ninguém viu nada, comentou.
O laudo do Instituto Médico-Legal (IML) de Londrina constatou a causa da morte como sendo asfixia mecânica por ingestão de líquido e traumatismo craniano. A polícia ainda trabalha com duas hipóteses. Não descartamos a possibilidade de morte provocada. O laudo do IML aponta lesão anal no menino. Ela pode ter sido provocada por vários objetos que foram levados pela correnteza. Mas ainda não temos nada que descarte violência sexual, disse o delegado.
Outros indícios, como a bicicleta ter sido encontrada desmontada no córrego, ajuda a reforçar esta hipótese. O delegado garante, porém, que ainda são informações extra-oficiais. A outra possibilidade, mais remota, é a de que o garoto, ao brincar na chuva forte, tenha caído com a bicicleta na galeria de água pluvial e teria sido levado pela enxurrada até o córrego.
Moradores da Vila Aparecida, que não quiseram se identificar, disseram à Folha que o assassino de Souza seria um viciado - o nome não foi divulgado - em crack e que mora na região. Ele estaria escondido, com medo de represálias de outros viciados e traficantes, por ter cometido um crime bárbaro e que revoltou a população do bairro.


