CASCAVEL - O chefe da Polícia Técnica da 15ª Subdivisão Policial de Cascavel, Celestino Boger, disse ontem que há dificuldades para a elaboração do laudo de campo sobre a morte dos sem-terra José Alves dos Santos, 36 anos, e Vanderlei das Neves, 16, quinta-feira passada, na Fazenda Pinhal Ralo, em Rio Bonito do Iguaçu (125 quilômetros a leste de Cascavel). Pessoas que estiveram no local logo após o episódio recolheram cápsulas de balas, encontradas no chão ou encravadas em árvores. Manchas de sangue foram eliminadas pela chuva.
Alguns trabalhadores sem-terra que acompanhavam as vítimas disseram à polícia que as mortes não ocorreram no mesmo local onde estão as duas cruzes colocadas pela coordenação do acampamento. As balas podem ter sido recolhidas por policiais ou mesmo por acampados.
A técnica policial determina que os elementos ligados a qualquer crime permaneçam intactos até a realização da perícia, para evitar alterações da cena do crime. ‘‘Alguns detalhes básicos foram inteiramente comprometidos no local’’, constatou Boger.
A Polícia Técnica completou o levantamento de campo durante o fim de semana, recuperando 15 cartuchos de vários calibres, inclusive 12 (usado geralmente por caçadores de grandes animais, policiais ou matadores profissionais). Parte do material já foi enviado para Curitiba para perícia. ‘‘Da parte que nos compete, em dez dias expediremos o laudo’’, promete Boger.
A Polícia de Laranjeiras do Sul, responsável pela investigação, espera completar o inquérito dentro dos 30 dias previstos por lei. O delegado Sebastião Ramos observou que o calibre de alguns cartuchos encontrados é típico de ‘‘safári’’ (caçada profissional de animais de grande porte).
Os dois sem-terra foram mortos com tiros à queima-roupa, segundo autópsia do Instituto Médico-Legal (IML) de Guarapuava. O pai de Vanderlei - José das Neves -, que acompanhava as duas vítimas, disse à polícia que eles foram assassinados por seguranças da empresa Giacomet-Marodin, proprietária da fazenda.
Neves identificou os seguranças como ‘‘Somenzi’’, ‘‘Zé Roberto’’ e ‘‘Vialzinho’’. A empresa nega a acusação e mantém a especulação de que as mortes possam ter ocorrido em conflito entre os próprios sem-terra ou com caçadores.

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