Curitiba O efetivo da Polícia Civil do Paraná está defasado em pelo menos 50,7%. Hoje existem 3.172 policiais civis trabalhando no Estado enquanto o Estatuto da Polícia Civil determina que o número mínimo seja de 6.246 profissionais. Além da quantidade mínima, o Estado ainda deveria ter 637 pessoas atuando no Quadro Próprio da Poder Executivo (QPPE) funcionários que atuam em conjunto com a polícia fazendo trabalhos burocráticos em cargos comissionados, estagiários e pessoal à disposição da polícia. O QPPE tem atualmente 583 funcionários. Os dados são do relatório do grupo auxiliar de Recursos Humanos da Polícia Civil, da Secretaria de Estado de Segurança Pública, referentes ao final de maio.
O governo pretende minimizar a defasagem ampliando até o final do ano o quadro em até 469 novos policiais. Destes, 215 estão se formando neste mês e os outros 254 foram chamados há duas semanas e têm até o fim da primeira quizena para se apresentarem. ''Com o número de policiais que temos hoje, não existe como fazer o trabalho que a população merece'', analisa o presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Londrina e Região (Sindipol), Ademilson Alves Batista. Para ele, seria preciso contratar até mais policiais que o mínimo exigido pelo estatuto para que a sensação de impunidade e insegurança da população acabe.
O coordenador do Grupo de Estudos da Violência da Universidade Federal do Paraná (UFPR), sociólogo Pedro Bodê de Moraes, lembra que esse problema da defasagem na Polícia Civil vem acontecendo ao longo dos últimos dez anos. ''Esse baixo efetivo impossibilita uma investigação eficiente, criando um gargalo. Isso é, muitos processos não vão para frente, gerando uma taxa de impunidade.''
O sociólogo explica também que a qualificação dos policiais está defasada e não atende às novas exigências da sociedade. ''É preciso integrar as polícias Civil e Militar e acabar com a educação militarizada delas. Isso não cabe em uma sociedade democrática'', enfatiza.
O presidente da Associação dos Delegados de Polícia (Adepol) do Paraná, João Ricardo Képpes de Noronha, cita exemplos de como as investigações policiais ficam afetadas com a falta de pessoal. ''Os policiais da Delegacia de Furtos e Roubos não conseguem mais fazer uma investigação completa de um roubo ou furto de carro. Eles não têm nem mais como ir a todos os locais que os bandidos costumam largar o veículo para o pessoal do desmanche pegar depois. A Delegacia de Homicídios precisa de muita agilidade, pois qualquer demora pode prejudicar a elucidação de um crime. Mas com pouca gente não dá. Os policiais não estão dando conta'', afirma.

mockup