Polícia tem ano positivo, mas difícil
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quarta-feira, 26 de dezembro de 2007
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Para a Polícia Civil de Londrina, 2007 será um ano a ser lembrado principalmente pela queda nos índices de crimes violentos cometidos contra a vida. Mas, por outro lado, também foi um ano de desafios em que a eficiência das investigações foi colocada à prova por alguns casos que exigiram, e ainda exigem, um trabalho municioso e sem espaço para erros.
Conforme números divulgados pelo delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial, Sérgio Barroso, até ontem à tarde foram cometidos em Londrina 80 homicídios, oito latrocínios (roubos seguidos de morte) e três lesões corporais com óbito posterior. O último assassinato aconteceu na madrugada de ontem. O corpo de Jeferson da Cruz, 27 anos, foi encontrado na calçada da Rua Josefina Colombo, no Conjunto Semíramis (Zona Norte). De acordo com a Polícia Civil, ele recebeu aproximadamente 15 tiros de pistola calibre 380, no tórax e membros superiores.
Os números foram bem inferiores a 2006, quando foram registrados 116 homicídios e 15 latrocínios. Quando comparado à 2005, a redução dos crimes contra a vida neste ano chega a 40%. ''Houve uma queda muito significativa quando comparamos os homicídios praticados na cidade com a média nacional, que é de 31 homicídios para cada grupo de 100 mil habitantes. Em Londrina, essa média está em 15,8 mortes para cada 100 mil pessoas. Os latrocínios, por exemplo, caíram 47% este ano em relação ao ano passado'', comentou Barroso.
O delegado creditou o bom desempenho a uma conjunção de fatores. O setor de homicídios trabalhou rápido na resolução dos crimes (o índice hoje passa os 80%) e no indiciamento e prisão dos envolvidos. Barroso exemplificou que dos oito latrocínios registrados até o momento, apenas o da balconista Celina Scudeler continua insolúvel. Os demais já foram esclarecidos e os autores presos, com exceção do assassinato do Erinaldo Lopes da Silva, 42 anos, em maio, cujo autor está foragido.
As prisões foram possíveis, segundo o delegado, graças ao Ministério Público e o Judiciário, que agilizaram a análise dos pedidos. O aumento do efetivo da Polícia Militar (que colocou em atividade na cidade mais 170 novos policiais) também teria contribuído positivamente ao aumentar a sensação de segurança. A inauguração do Centro de Detenção e Ressocialização (CDR), em abril, foi outro fator que trouxe reflexos ao esvaziar os distritos policiais que estavam superlotados e registravam fugas e tentativas praticamente diárias.
Entretanto, Barroso lembrou que os números positivos não significaram menos trabalho para a Polícia Civil. Casos ruidosos e de repercussão nacional pontuaram praticamente todo o ano. Em março, a auxiliar de enfermagem Sueli Aparecida de Souza, 38, foi morta enquanto jantava com a família numa pizzaria da Zona Sul ao ser atingida por tiros disparados por assaltantes em fuga. Em maio, o pastor Erinaldo Lopes da Silva foi assassinado durante uma tentativa de assalto dentro da própria igreja na Região Central. Poucas semanas depois, no início de junho, o estudante Rafael Bernardino Ruiz, 19, foi morto por assaltantes na garagem de casa ao tentar defender o pai.
Em 27 de outubro, Londrina se sentiu mais uma vez acuada pela violência com a notícia do assassinato da estudante Amanda Rossi, 21, dentro do campus da universidade onde cursava Educação Física. O crime continua sendo um mistério e a Polícia ainda tenta dar uma resposta à sociedade. Insolúvel também continua o crime contra a balconista Celina Scudeler Marques, 41, registrado em 28 de novembro. Ela assistia a um jogo de futebol na sala de casa com o namorado quando foi rendida e morta por dois assaltantes.
O delegado concordou que os casos foram desafiadores mas avaliou que situações assim são difíceis de ser prevenidos. ''Foi um ano de avanços, onde tivemos casos de repercussão mas que são difíceis de evitar. Para 2007, por exemplo, ele antecipou que a Polícia Civil deverá ganhar um reforço de pessoal, o que não acontece há anos. Barroso estimou que até abril o processo seletivo para policial será concluído. (Colaborou (Fábio Cavazotti)


