Polícia técnica faz perícia em ônibus
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terça-feira, 21 de julho de 1998
Maurício Borges 
Peritos do Instituto de Criminalistica de Londrina estiveram ontem em Grandes Rios (90 km ao sul de Apucarana) para proceder o levantamento de dados no local do acidente com o ônibus da empresa Radar, no qual morreram cinco pessoas e mais de 40 ficaram feridas. O veículo caiu no Córrego Encantado, no final da tarde de segunda-feira, quando seguia com cerca de 70 passageiros pela estrada rural que liga Grandes Rios ao distrito de Flórida do Ivaí.
Até ontem no final da tarde, 28 passageiros do ônibus permaneciam internados, a maioria no Hospital da Providência, em Apucarana. Os casos mais graves são os dos lavradores Jorge Assad e Claudinei Padilha Figueira, que permaneciam internados na UTI do Hospital da Providência em estado grave.
A provável causa do acidente teria sido a perda do freio ou a quebra de uma ponta-de-eixo, conforme relatou o motorista do ônibus Levite Adelino Mello ao ser socorrido com ferimentos por policiais de Grandes Rios. Por enquanto, ele ainda não foi ouvido no inquérito policial instaurado pelo delegado José de Aquino Figueiredo.
Odair StraliottiBeatriz do Nascimento, prima de um dos mortos, sofreu fratura no fêmurDe acordo com Figueiredo, o motorista e muitos passageiros do ônibus continuam internados em hospitais de Grandes Rios e Apucarana e poderão prestar depoimento somente a partir da próxima semana. A primeira providência adotada foi solicitar a presença de técnicos do Instituto de Criminalística para proceder o laudo de perícia. A partir deste laudo poderemos concluir se houve falha mecânica ou humana, adiantou ontem o delegado.
O levantamento de dados no local do acidente foi realizado ontem pelos peritos criminais Darci Dórias de Faria e Geraldo Gonçalves de Oliveira Filho. Também participou do trabalho o perito Luciano Bucharle, que é engenheiro mecânico. O laudo do Instituto de Criminalística deve ser liberado em duas semanas.
Luto oficial O acidente que deixou um saldo de cinco mortos e dezenas de trabalhadores rurais feridos abalou Grandes Rios. Ambulâncias e médicos de municípios vizinhos deslocaram-se para a cidade para ajudar no atendimento às vítimas. Os casos mais graves, de fraturas e traumatismo, foram transferidos ainda na segunda-feira para Apucarana.
Ontem a prefeita Sueli Esther Silva Lino decretou luto oficial por três dias e já pela manhã bancos, estabelecimentos comerciais e órgãos públicos fecharam as portas.
Das vítimas fatais, somente o corpo do lavrador Carlos Izidoro Nascimento foi transladado para Tamarana (62 km ao sul de Londrina). Os demais, João França, Maria José Lopes Poliselli, Alexandre Messias Bento e José Segantin foram sepultados ontem à tarde, no Cemitério Municipal de Grandes Rios, com grande acompanhamento de pessoas.
Na empresa Radar Turismo e Transportes Ltda, em Cambé, ninguém quis comentar sobre o acidente. A única informação é que diretores ou o advogado da empresa - o nome não foi divulgado pela Radar - é que poderiam falar sobre as providências, mas ninguém foi encontrado. O proprietário da Radar, Jeferson Marques da Silva, também não foi localizado.


