Polícia suspeita que andarilho não tenha morrido por acidente
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 15 de junho de 1998
Guilherme Vieira 
O esclarecimento da morte do andarilho Claudio Corrêa, 49 anos, queimado na madrugada de domingo em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba, vai depender dos laudos dos peritos do Instituto Médico Legal (IML) e do Instituto de Criminalística da Polícia Civil, que ficam prontos em 30 dias. A informação foi divulgada pelo policial Clélio Polachini Filho, que está coordenando as investigações. A última vez que foi visto com vida, Corrêa dormia na porta do Bar União Campinas, no bairro Jardim São Francisco, às 5h30 de domingo. Vizinhos do bar, Ivan Francisco de Castro e a mulher Terezinha foram acordados às 6h30 pelos gritos de Corrêa, que, segundo os moradores, parecia uma tocha humana. O andarilho foi levado ao Hospital Evangélico, onde morreu às 14h15.
A irmã de Corrêa, Maria Olívia Freitas, 51 anos, tem certeza que ele foi assassinado, mas tem poucas esperanças de que seja feita justiça. Somos pobres e neste país pobre não tem vez, disse. O detetive Polachini disse que a polícia está considerando a possibilidade de que Corrêa tenha morrido por acidente, mas sem descartar a ocorrência de um assassinato. A versão da morte de Corrêa ser acidental é apoiada por Ademilson Rodrigues, dono do bar onde a tragédia aconteceu. O comerciante contou que Corrêa chegou no bar por volta das 21 horas com R$ 1,00 no bolso, querendo comprar uma garrafa de pinga - que custa R$ 1,30. Acabei vendendo a garrafa, uma caixa de fósforo e um cigarro avulso para ficar tudo bem.
Pouco tempo depois Corrêa teria se trancado no banheiro e dormido. Acabamos arrombando a porta do banheiro e colocando-o para fora, ao lado da churrasqueira. O dono do bar disse que pouco depois algumas pessoas vieram avisá-lo que Corrêa estava tentando entrar na churrasqueira, que estava apagada e continha um saco de carvão. Eles acabaram segurando o homem, que depois disso ficou deitado no chão ao lado da churrasqueira.
Ao chegar ao local, as pessoas que socorreram Corrêa encontraram a churrasqueira acesa e o homem gritando e correndo de um lado para o outro. Desse cenário de horror a polícia tirou duas teorias, que aguardam os laudos técnicos para serem confirmadas. A primeira é que Corrêa acordou pouco depois que todos saíram e decidiu acender o fogo para se esquentar. Como a churrasqueira era grande, Corrêa pode ter tentado entrar dentro dela, motivo pelo qual todo o carvão estava colocado de um lado só, disse o investigador Rubens Duzi, que esteve no local ontem para a perícia. A outra versão que a polícia investiga é que alguém pode ter ateado fogo no andarilho enquanto ele dormia.
Uma equipe da polícia técnica esteve no local ontem à tarde, para recolher material que possa esclarecer o crime. Na manhã de hoje, devem depor na Delegacia de Polícia de Araucária o dono do bar, Ademilson Rodrigues, e o primeira pessoa a socorrer Corrêa, Ivan Francisco de Castro.


