A Polícia Civil encaminhou ontem um ofício à Universidade Estadual de Londrina (UEL) solicitando acesso ao relatório elaborado por uma comissão de sindicância da instituição. A comissão foi instaurada para investigar denúncias de ofensas proferidas por um grupo de residentes e ex-residentes do Hospital Universitário (HU) contra pacientes e funcionários. O relatório, concluído há 11 dias, ainda não foi divulgado pela reitora Lygia Pupatto.
As ofensas estavam hospedadas em uma página de Internet conhecida como Orkut e vieram a público em maio, depois de o conteúdo do site ter sido divulgado entre os servidores do HU. Entre os ''apelidos'' atribuídos aos funcionários estavam expressões como ''macaca de 15 arrobas'', ''traveco'' e ''bicha da noite''.
As denúncias foram encaminhadas à Polícia Federal, à reitoria da UEL e ao Conselho Regional de Medicina (CRM). O delegado-adjunto da 10 Subdivisão Policial, Márcio Amaro, é responsável pelo inquérito na Polícia Civil. ''É certo que o crime de injúria qualificada (ofensas com conotação preconceituosa) aconteceu.''
O delegado requisitou o relatório da sindicância para complementar os depoimentos. Na universidade, o processo foi conduzido pela professora Silvia Panzoni. ''O processo foi concluído e entregue à reitoria no dia 28 de junho. Ele tem cerca de 200 páginas, mas o relatório, que contém a metodologia utilizada na pesquisa e a conclusão da sindicância, tem 20 páginas'', afirmou a professora. A reitora afirmou, por meio da assessoria de imprensa, que ainda está estudando a sindicância e que só concederá entrevistas sobre o assunto na segunda-feira.
No HU, a reportagem consultou alguns residentes para saber quais as expectativas quanto à conclusão da sindicância. ''Não sei como está, não. Fiquei sabendo que o clima ficou ruim entre os residentes e funcionários'', disse uma médica. ''Não vai dar em nada, estão fazendo tempestade em copo d'água'', afirmou outra.
''Vamos intimar os envolvidos para depoimento. Não será difícil, porque na Internet constam os nomes e afirmações das pessoas. O inquérito pode resultar tanto na aplicação de penas alternativas, para os casos de injúria simples, como na prisão por até três anos, para injúria qualificada'', disse Amaro.

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