Albari RosaRiscoEmpresas de Transporte de Cargas do Paraná pedem mais policiamento em pontos congestionados por obrasPreço baixo do frete, obras que congestionam o tráfego nas rodovias e a cobrança do pedágio devem tornar mais difícil o escoamento da safra agrícola 97/98, que deve ser de 7 milhões de toneladas no Paraná. Os motoristas de caminhão pedem mais policiamento rodoviário nos pontos congestionados pelas obras e que o pedágio seja reduzido pela metade. E as polícias rodoviárias estadual e federal prometem intensificar a fiscalização sobre os abusos cometidos pelos motoristas de caminhão.
A Operação Safra da Polícia Rodoviária Estadual foi lançada ontem e deve se prolongar até o final de julho. Só no Posto Constorno passam diariamente 10 mil caminhões. A operação colocará viaturas equipadas com bafômetros em pontos estratégicos dos 15 mil quilômetros de rodovias estaduais do Paraná e nos 62 postos policiais. Segundo o assessor de comunicação da Polícia Rodoviária Estadual, tenente Valmor Anderson Pereira, com o preço baixo dos fretes a tendência é que os motoristas abusem da velocidade e do cansaço para fazer o maior número de viagens possível durante o período de escoamento da safra. Por isso, além de trabalhos de orientação dos motoristas a fiscalização vai ser intensa.
A Polícia Rodoviária Federal não pretende realizar uma operação específica para o escoamento da safra, mas vai reforçar a segurança nas principais rodovias utilizadas pelos caminhoneiros. O trecho de quase 700 quilômetros entre Foz do Iguaçu e o Porto de Paranaguá é o mais movimentado. Segundo o inspetor Tupi Reinhardt, vários pontos tem registrado até cinco quilômetros de congestionamento por causa das obras na pista. Além de atrasar os caminhonheiros, que tentam descontar depois o tempo perdido, as filas tornam os trechos mais perigosos para os carros de passeio. Com chuva, o perigo aumenta ainda mais.
O superintendente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas do Paraná (Setcepar), Sérgio Malucelli, diz que os 40 mil caminhões colocados pelas empresas para o escoamento da safra e outros 40 mil dos motoristas autônomos têm condições de fazer o trabalho com tranquilidade. Segundo ele, as transportadoras têm contratos com as cooperativas e, com isso, não precisam apressar o escoamento. Já os motoristas autônomos devem ter mais pressa para conseguir um maior número de fretes.
A preocupação com a segurança, para Malucelli, se restringe ao trânsito, pois não há incidência de roubos de cargas agrícolas. Segundo ele, é necessário que se intensifique o policiamento rodoviário nos pontos congestionados por causa das obras. No ano passado, as polícias rodoviárias estadual e federal registraram cerca de 11 mil acidentes envolvendo caminhões.
Sobre a cobrança de pedágio, Malucelli diz que até agora pouca coisa mudou em relação as condições das estradas e não há data definida para o início da cobrança. Vários debates devem ser promovidos pelo sindicato para reivindicar a redução de 50% nas tarifas de pedágio propostas nos contratos de concessão à iniciativa privada. O preço do frete está entre R$ 18,00 e R$ 20,00 por tonelada e pode chegar a R$ 26,00 no pico do escoamento da safra. O frete de Foz até Paranaguá custa cerca de R$ 800,00, segundo Malucelli, e o pedágio poderia encarecer em mais de 15%, o que representa mais R$ 140,00.

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