Polícia rodoviária alerta para riscos da supervelocidade
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sexta-feira, 23 de janeiro de 2015
Vítor Ogawa<br> Reportagem Local 
Londrina- Um vídeo que tem circulado nas redes sociais na última semana mostra uma Belina trafegando a 180 km/h em uma rodovia paranaense. Como esta velocidade é constatada? O autor do vídeo também está a mais de 180 km/h e mostra a velocidade no velocímetro de seu carro como comparativo, já que não consegue ultrapassar a Belina. Além de estar a uma velocidade alta, o autor da gravação também cometeu outra infração ao gravar a imagem, tirando uma das mãos do volante.
Não se sabe quem fez o vídeo, mas o assunto foi tratado de forma jocosa nas redes sociais, principalmente por envolver um modelo antigo, que não é mais fabricado. O problema é que o excesso de velocidade pode aumentar bastante a gravidade dos acidentes. Segundo o núcleo de comunicação da Polícia Rodoviária Federal (PRF), a maior velocidade registrada por um radar em rodovias federais no Paraná foi de 221 km/h. O veículo que estava a uma supervelocidade era um Audi e o caso ocorreu na BR-277, em Cascavel (Oeste) em dezembro de 2014. "Provavelmente é a maior velocidade registrada por um radar em rodovias federais. Cheguei a enviar um e-mail a inspetores de todo o Brasil perguntando se havia o registro de velocidade superior a isso e ninguém se manifestou", afirmou o inspetor do núcleo de comunicação da PRF, Fernando Oliveira. Até então, a maior velocidade já registrada por um radar da PRF no Paraná era a de 220 quilômetros por hora, flagrada na região de Ponta Grossa em julho de 2014.
Oliveira aponta que das 187.862 infrações registradas em 2013 nas estradas federais do Paraná,6.132 foram por transitar em velocidade acima de 50% à máxima permitida. Em 2014, das 185.296 multas por excesso de velocidade, foram 6.069. "Isso quer dizer que essas pessoas estavam a pelo menos 160 km/h", explicou.
O empresário Rogério Lacerda Cezar, de 46 anos, sofreu um acidente na rodovia que liga Londrina a Maringá a uma velocidade de 270 km/h no dia 15 de março de 2008, quando integrava um grupo de 18 motociclistas. Logo depois de passar pelo pedágio da PR-444, ao passar pelo pontilhão do trevo Arapongas-Astorga, em uma reta em declive, Cezar acelerou para sentir a potência da moto, mas um veículo que vinha no sentido contrário cruzou a sua frente em uma conversão irregular. A colisão foi inevitável. Mesmo utilizando equipamentos de segurança como protetor de coluna, capacete de fibra de carbono, macacão apropriado e botas de cano longo, o impacto foi grande. O corpo de Cezar foi arremessado a 92 metros do ponto do impacto. O braço esquerdo dele foi arrancado na hora.
Ele chegou a ser classificado pelo socorro como morto, já que apresentou parada cardiorrespiratória. A sorte da vítima é que três médicos que nunca tinham integrado o grupo estavam no local e prestaram os primeiros socorros. Um deles conseguiu reanimá-lo na ambulância. A perna esquerda, que também foi atingida, não pôde ser recuperada e teve de ser amputada. "Eu tinha 38 anos. Já tinha passado pelo curso de pilotagem no autódromo e havia aprendido direção defensiva no autódromo. Mas na estrada é diferente. A gente precisa pilotar pensando na gente e nos outros. Hoje eu não pilotaria naquela velocidade", afirmou. Ele tem aconselhado os amigos que querem andar de motocicleta em alta velocidade para que façam isso apenas em autódromos. Cezar relatou ainda que o grupo de amigos que andava de moto acabou sendo desfeito depois de seu acidente e que dois outros membros morreram em desastres posteriores.
O inspetor Junior Cesar Cavalcanti, da PRF, diz que o excesso de velocidade nas rodovias federais da região de Londrina também é bastante comum. "Não há um horário específico para que isso ocorra, mas acontece principalmente em trechos da rodovia entre Arapongas e Apucarana, na reta da BR-369 que possui pista dupla", destacou.
Trafegar em velocidade até 20% acima do limite permitido é considerado uma infração média. O motorista perde quatro pontos na carteira nacional de habilitação (CNH) e é multado em R$ 85,13. No entanto, se a velocidade ficar entre 20% e 50% acima da máxima permitida, a infração passa a ser considerada grave. O motorista neste caso perde cinco pontos na CNH e deve pagar multa de R$ 127,69. Se a velocidade estiver 50% acima da permitida, a infração é gravíssima e a multa chega a R$ 574,62. O motorista ainda perde sete pontos na CNH e o Detran abre um processo de suspensão do direito de dirigir por um prazo que varia de um mês a um ano.
Quando um veículo é flagrado em supervelocidade, a abordagem pode até não ser feita na hora. "Normalmente o radar faz o registro, o veículo é fotografado, a nossa equipe entra em contato com o outro posto e lá é feita a abordagem", explicou.
O inspetor Fernando Oliveira ressalta que o combate ao excesso de velocidade é um dos focos das operações realizadas no período de férias. "Estamos focando a fiscalização nas ultrapassagens proibidas, embriaguez e também na alta velocidade", garantiu.
Oliveira acrescenta que as velocidades máximas são determinadas de acordo com estudos de engenharia para que fiquem compatíveis com as características de cada trecho das rodovias e se existe o trânsito de pessoas no entorno.
A relações-públicas da Polícia Rodoviária Estadual (PRE), Jaqueline Soares, revelou que nas rodovias estaduais da região 27.689 motoristas foram autuados por excesso velocidade em 2014, contra 53.580 em 2013. Esses dados foram coletados em dez rodovias: PR-092, PR-090, PR-445, PR-444, PR-170, PR-218, PR-272, PR-323, PR-466 e PR-160. "De nossa parte tentamos coibir a prática com radares móveis. Aqui na região temos percebido que a maioria dos acidentes por alta velocidade acontece em pistas simples, justamente quando o veículo tenta fazer uma ultrapassagem proibida", revelou.
Na Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), que fiscaliza as ruas e avenidas de Londrina, foram registradas, em 2014, 26.654 autuações por excesso de velocidade (22.003 por velocidade até 20% acima do limite e 4.651 por velocidade de 20% a 50% acima do limite. Em 2013, foram aplicadas 40.686 multas por excesso de velocidade 30.242 em velocidade 20% acima do limite máximo e 10.444 em velocidade de 20% a 50% acima do limite máximo. Em ambos os períodos o excesso de velocidade liderou as infrações de trânsito registradas no município de Londrina.
Segundo o diretor de trânsito da CMTU, Hemerson Pacheco, a redução das autuações é decorrente de uma série de fatores: fiscalizações intensificadas, rotatividade dos pontos de fiscalização em períodos curtos, aumento da divulgação das informações do Placar da Vida pelos meios de comunicação e orientação intensificada a grupos de idosos, igrejas e comunidades.


