Polícia retira famílias de áreas invadidas
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quarta-feira, 15 de novembro de 2000
Maigue Gueths De Curitiba 
A Polícia Militar cumpriu, ontem de manhã, os mandados de reintegração de posse de duas áreas na região sul de Curitiba, que tinham sido ocupadas por mais de 850 famílias. A retirada aconteceu em clima de tensão, mas sem violência. Depois de fecharem duas vezes a BR-476, a Rodovia do Xisto, ateando fogo em pneus e madeira, os sem-teto desbloquearam a rodovia assim que o presidente da Companhia de Habitação de Curitiba (Cohab-CT), Sérgio Misael Abu-Jamra, esteve no local e agendou uma reunião para amanhã, às 15 horas.
Mesmo com a promessa da prefeitura de receber uma comissão das famílias, na Regional Pinheirinho, os sem-teto decidiram permanecer às margens da rodovia até a reunião. Se o encontro não acontecer, eles prometem fechar novamente a estrada como medida de pressão.
O pior momento das reintegrações foi registrado por volta das 10 horas, quando os invasores da área do bairro Tatuquara decidiram fechar as duas vias da BR-476, colocando fogo em pneus e madeira no meio da rodovia. Com o fechamento da estrada, formaram-se congestionamentos de quase cinco quilômetros nos dois lados. Depois de muita negociação e ameaças de uma intervenção mais dura da polícia no sentido de garantir o fluxo de veículos, os ocupantes concordaram em reabrir meia pista da rodovia. A negociação entre as partes contou com a presença de representantes da Polícia Rodoviária Federal e do tenente coronel Neuri Pires de Oliveira, comandante do responsável pela operação.
Os manifestantes estabeleceram o prazo de uma hora para que representantes da Companhia de Habitação de Curitiba (Cohab-CT) comparecessem ao local para negociar. Como ninguém da prefeitura apareceu, a rodovia voltou a ser interditada às 12h30, causando novos congestionamentos. Com a pressão, o presidente da Cohab foi conversar com os manifestantes.
A primeira das duas invasões aconteceu em 27 de outubro, quando cerca de 320 famílias ocuparam uma área com 48,4 mil metros quadrados, no bairro Pinheirinho, em Curitiba. Em uma área próxima dali, no bairro Tatuquara, na divisa com Araucária, Região Metropolitana de Curitiba, outro grupo de 540 famílias (segundo os invasores) ocuparam, no dia 3, uma área de 266 mil metros quadrados da Fazenda da Ordem.
Nos dois casos, os proprietários das áreas entraram na Justiça com ação de reintegração de posse, cujas liminares foram concedidas pelo juiz Carlos Eduardo Andersen Espínola da 14ª Vara Cível da Comarca de Curitiba, na semana passada. Segundo Daniel Antonio de Araújo, do Movimento de Luta pela Moradia, a entidade ainda está aguardando decisão judicial sobre o pedido de cassação da liminar de reintegração, solicitado na última sexta, dia 10.
Grande parte dos invasores reclama da demora da Cohab. É esse o caso de Maria Aparecida Gomes, 38, dois filhos de 3 e 8 anos, cujo marido trabalha como carregador na Ceasa. Estou na fila da Cohab há 6 anos e até agora nada, contou. Antes da invasão, a família pagava R$ 180,00 de aluguel em uma casa na Vila Pompéia, valor incompatível com os ganhos de seu marido que tira R$ 15,00 a R$ 20,00 no dia, quando tem serviço. Atualmente cerca de 30 mil pessoas moram em áreas invadidas na Capital, e segundo a Cohab-CT, 60 mil famílias esperam ser chamadas para receberem suas casas.


