Cambé O delegado de Cambé (13 km a oeste de Londrina), Valdir Abrahão, disse ontem que está ''envergonhado'' por ter que acatar a ordem da juíza Márcia Guimarães Luz, da Vara Cível da comarca local, que anteontem determinou a restituição de oito veículos ao estudante Fernando Augusto Rodrigues Formigoni e a seu pai e procurador, o advogado José Augusto Rodrigues Formigoni.
Os carros haviam sido apreendidos no ano passado pela Polícia Civil, depois de investigações a partir de Rolândia e Londrina. Foram retirados do pátio da delegacia cinco S-10, uma Blazer, um Gol e uma Saveiro, que não poderão ser vendidos porque são bens indisponíveis. ''Acredito que a restituição dos veículos torna vulnerável a preservação dos dados indicativos, como os números encontrados nos chassis'', avaliou o delegado. O estudante e o advogado sustentam que os carros foram adquiridos sinistrados e recuperados.
Pelo menos seis carros periciados pelo Instituto de Criminalística de Londrina apresentaram sinais de adulteração no chassi e em outras partes. Vários deles apresentam histórico de furto e roubo, o que aumenta a suspeita de receptação.
''Como delegado, não fico à vontade para liberar carros que apresentam indícios tão consistentes de adulteração e que tenham tantos indícios que foram roubados ou furtados'', disse. ''Mas, neste caso, não há nada a fazer''. Para que a situação seja revertida, apenas a própria juíza pode reconsiderar a decisão ou por iniciativa própria ou a pedido do Ministério Público.
Em outro caso, também investigado pela Polícia Civil de Cambé, o empresário Jéferson Marques da Silva dono da empresa de ônibus Radar foi indiciado por adulteração de dados indicativos de vários utilitários em seu nome. Apesar das semelhanças, o delegado Valdir Abrahão descartou totalmente a conexão entre um caso e outro.

mockup