Polícia requer cão que matou o dono
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quarta-feira, 02 de abril de 1997
Lucinéia Parra Sucursal de Maringá 
O pedido para abater os cães mastin napolitano que em janeiro deste ano atacaram o tratador de animais, Marco Aurélio da Silva, está parado no Fórum de Maringá há mais de dois meses. O pedido foi feito no dia 23 de janeiro pelo delegado Benedito Aurélio Gonçalvez, responsável pelo inquérito que apura a responsabilidade do ataque. O tratador teve a perna esquerda amputada.
Os cães são os mesmos que atacaram e mataram o banqueiro do jogo do bicho Mário Tamia, de Apucarana, em dezembro do ano passado. Depois da morte de Tamia, os animais foram transferidos para o canil Freedog, em Maringá, onde Silva trabalhava.
Gonçalvez pediu o abate de três dos quatro animais da mesma raça que estão no canil. Para fazer o pedido, o delegado se baseou no código de proteção dos animais de 1934, que ainda está em vigor. Segundo o delegado, o código prevê o sacrifício desde que seja comprovado o risco que os animais representam à sociedade. Ele inclui no processo o ataque ao empresário.
O promotor Marcelo Brisa Machado disse ontem que devolveu o processo para o delegado Gonçalvez porque há um pedido da Delegacia de Entorpecentes de Curitiba para ficar com o cão macho. Ele solicita ao delegado responsável pelo inquérito a autorização dos donos dos animais para doá-lo à delegacia de Curitiba. Enquanto não for resolvida esta questão do macho que foi requisitado pela delegacia de entorpecentes, não posso analisar o pedido de abate das outras duas fêmeas, explica.
Segundo Machado, a Promotoria Pública só autoriza o sacrifício de animais em casos excepcionais. Ele adiantou que qualquer parecer da Promotoria sobre o pedido de abate dos cães será dado após um amplo debate. O cão é irracional. Ele não tinha a mínima idéia do que estava fazendo quando atacou as vítimas, disse. O delegado Gonçalvez afirmou ontem que ainda não recebeu o processo com as manifestações da promotoria.
Dos quatro cães da raça Mastin Napolitano que estavam no canil Freedog, onde Silva trabalhava, três pertencem à família do empresário de Apucarana. Gonçalvez pediu o abate dos três cães porque eles participaram do ataque ao empresário. Foi o macho de nome Green e as duas fêmeas, Fortuna e Lorena, que atacaram o empresário, por isso pedi o abate destes animais, explicou. Green é o animal requisitado pela delegacia de entorpecentes de Curitiba. Segundo o delegado, o macho foi o primeiro a atacar Silva, no Freedog. A fêmea de nome Fortuna - mãe de Green - também teria participado do ataque ao tratador de animais do canil. A outra fêmea, de nome Lorena, estava em canil separado, mas mesmo assim foi incluída no pedido de abate.
O delegado disse ontem que não poderá fazer mais nada com relação ao pedido de abate dos animais, se a doação de Green para a delegacia de entorpecentes for autorizada pelos donos do animal. Cabe à Promotoria Pública e a Associação de Defesa dos Animais acatar o pedido de sacrifício dos cães, disse. Se o pedido for aceito, o processo será encaminhado para a Justiça.


