Polícia reprime princípio de rebelião em Rolândia
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 06 de novembro de 2001
Maranúbia Barbosa<bR>De Londrina 
A Polícia Militar de Rolândia (25 km a oeste de Londrina) reprimiu ontem um princípio de rebelião na delegacia da cidade e expôs a fragilidade na segurança do local. Superlotadas, as celas estão atualmente com 50 detentos, sendo que a capacidade é para 25. A delegacia funciona de forma precária numa residência que foi adaptada para essa finalidade.
Segundo o delegado Walter Helmut, os presos promoveram uma ''agitação'', na tentativa de forçar a transferência de alguns deles. Pelo menos 15 detentos já foram julgados e esperam a remoção para a Colônia Penal, em Piraquara, Região Metropolitana de Curitiba, e outras penitenciárias estaduais. O delegado relatou que os presos não gostaram do reforço de cimento que foi feito há poucos dias nas paredes das celas, para prevenir possíveis fugas. Policiais vistoriaram o local e descobriram um pedaço de ferro que estava sendo usado para perfurar a estrutura física, perto do beiral, durante o fim de semana.
A falta de segurança na delegacia fica mais visível na proximidade da porta de duas celas com o muro que cerca a casa. Com cerca de 2,9 metros de altura, o muro não tem nenhuma proteção extra como arame farpado ou cacos de vidro. Segundo o delegado, os presos vivem recebendo pacotes contendo maconha, que são atirados da calçada por pessoas que passam na rua. Os detentos conseguem pegar a droga ''pescando'' com antenas de tevê improvisadas. ''Já teve gente que tentou escalar o muro.'' De acordo com Helmut, o risco de se passar uma arma para os presos é grande.
Por falta de ala feminina o delegado tem que deixar durante o dia uma mulher algemada em um banco no jardim interno da casa. De acordo com ele, o problema da falta de espaço se complica quando um preso sob ameaça tem que ficar separados dos demais e ocupar uma cela sozinho. O mesmo problema também acontece com os menores de idade que não podem estar juntos com os outros detentos maiores. ''Faz tempo que venho pleiteando uma reforma aqui'', reclamou o delegado. Há cerca de dois meses um tumulto semelhante ao ocorrido ontem também foi controlado por policiais.
O secretário estadual de Segurança Pública, José Tavares, que esteve em Londrina ontem, afirmou que está pronto para disponibilizar recursos para a reforma. ''Basta ele (o delegado) relatar as necessidades que daremos as condições'', garantiu.


