Desrespeito à sinalização e desatenção ao volante podem ser as causas para que 88% dos acidentes registrados pela 2º Companhia de Polícia Rodoviária do Paraná em 2004 tenham acontecido em pontos de estradas considerados teoricamente seguros, como retas ou curvas abertas. Estas informações fazem parte de um levantamento realizado pela companhia para definir o perfil dos acidentes nas estradas no Norte do Estado, que no ano passado vitimaram 249 pessoas.
O levantamento mostra que do total de 199 ocorrências com morte registradas pelos 15 postos da Polícia Rodoviária em 2004, 113 aconteceram em trechos de retas e 63 em curvas abertas. O restante, 23 acidentes, ocorreram em curvas fechadas. Capotamentos e colisões frontais e traseiras são as ocorrências mais comuns e acontecem, na maioria, após o entardecer. Um exemplo mais próximo dos dados organizados pela companhia é o acidente ocorrido na tarde de anteontem, quando o advogado criminalista Luiz Fernando Benini morreu ao bater frontalmente o Fiat Palio que conduzia com um caminhão. O trecho onde aconteceu a colisão era uma reta e, segundo o caminhoneiro, o veículo simplesmente saiu da pista, provavelmente por causa das chuvas.
Depois de fazer uma avaliação dos dados, o comandante da 2 Cia., capitão Sérgio Dalben, afirmou que não é possível distinguir trechos das rodovias que podem ser considerados críticos. ''A própria característica dos acidentes descritos nos impede de fazer um apontamento deste tipo. Se eles acontecem em retas, podem ocorrer em qualquer ponto de uma estrada'', explicou. ''Por outro lado, de uma forma geral, as estradas da região estão em condições razoáveis de funcionamento e posso afirmar seguramente que 80% delas são muito bem sinalizadas'', continuou.
Alguns trechos, no entanto, ficaram marcados como pontos onde o número de acidentes ficou acima da média, como no caso do KM 82 da PR-445, em Londrina, com quatro acidentes fatais em 2004, e o intervalo da BR-369 entre Arapongas e Apucarana, onde nove pessoas morreram. O capitão lembra, porém, que mesmo estes pontos contam com boa sinalização e oferecem boa visibilidade aos motoristas.
A falta de caracterização de pontos críticos e as peculiaridades dos locais onde a maioria dos acidentes ocorreram fazem o capitão apontar o desrespeito à sinalização e a desatenção como as principais causas para os acidentes graves. ''Não acho que existam pontos críticos nas rodovias. Se um local é tido como perigoso, logo ele passa a ser conhecido e deixa de oferecer grandes riscos. Podemos supor isto pelo fato de que a maioria absoluta dos veículos envolvidos em acidentes era de cidades da região, o que indica que os motoristas deveriam conhecer as estradas'', disse.
''O que podemos deduzir é que o desrespeito à sinalização acaba gerando excesso de velocidade e isso está diretamente ligado à gravidade dos acidentes. Da mesma forma, pontos teoricamente seguros, como uma reta, fazem com que o motorista ganhe confiança e faça outras coisas, como mexer no som. Esta desatenção também é um agravante'', afirmou o comandante, que pretende, com as operações realizadas principalmente durante feriados, intensificar campanhas educacionais para alertar os motoristas sobre a importância do respeito à sinalização e da atenção ao dirigir.

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