Polícia registra duas mortes em Londrina
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 03 de maio de 2005
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Duas pessoas que recentemente haviam sofrido tentativas de homicídio, uma delas adolescente, foram mortas entre a noite de anteontem e a madrugada de ontem em Londrina. A polícia diz que as vítimas cometeram um erro comum e, infelizmente, fatal: não denunciaram os primeiros crimes. Já são quatro assassinatos registrados na cidade, no mês que mal começou.
O primeiro crime ocorreu na Rua Café Cereja, Residencial do Café (Zona Norte), por volta das 21 horas. José Roberto Celino, 37 anos, foi atingido por três tiros na cabeça e tórax. O delegado de plantão da 10 Subdivisão Policial (SDP), Airton Simplício, ouviu de testemunhas que Celino estaria num bar, acompanhado de uma mulher, quando encontrou um rapaz com quem já havia brigado antes. Os dois teriam entrado em ''vias de fato'' termo policial que designa luta corporal e, em seguida, o assassino teria disparado um tiro contra a cabeça da vítima. ''Testemunhas disseram que, com a vítima já caída no chão, o homicida teria desferido mais dois tiros 'só para conferir''', contou o delegado.
Simplício apurou que Celino havia deixado um hospital há apenas três dias, onde estava internado por causa de um tiro recebido no tórax semanas antes. O autor daquele disparo seria o mesmo que acabou o matando. ''Ele (Celino) resolveu manter sigilo, fazer justiça sozinho. Se tivesse denunciado o criminoso à polícia, ele poderia ter sido preso e talvez a vítima não tivesse sido morta'', avaliou. O delegado disse que, ''provavelmente'', um boletim de ocorrência referente ao primeiro crime foi lavrado com base nas informações do hospital, mas a polícia não pôde tomar o depoimento de Celino devido ao seu estado de saúde. Até ontem, a ficha criminal da vítima não havia sido levantada.
Outro assassinado foi Diego Diold Bueno de Paula, 17 anos, cujo corpo foi encontrado no final da manhã de ontem em uma residência no Jardim Santa Fé (Zona Leste). Segundo o delegado do 2º Distrito Policial (DP), Antônio do Carmo, Diego estaria dormindo no sofá da sala, quando foi atingido na cabeça, à queima-roupa. O crime teria ocorrido de madrugada, mas só foi descoberto pela manhã, após uma denúncia anônima. O delegado foi informado de que Diego estaria sozinho na casa, embora um outro rapaz resida no local. Um cartucho de revólver calibre 38 foi encontrado próximo ao sofá.
A irmã de Diego, Ana Paula, contou à reportagem que a vítima morava com a família no Jardim Marabá (Zona Leste), mas ''costumava pousar'' na casa do amigo. Na noite de anteontem, Diego teria ido para o Santa Fé por volta da meia-noite. Ana Paula disse desconhecer se o irmão estaria sendo ameaçado, mas lembrou que ele já havia sido vítima de um atentado no ano passado. ''No dia 30 de outubro ele levou um tiro na cabeça em Ibiporã, só sabemos que foi durante uma briga. Ele estava trabalhando de pintor e morando lá com um outro rapaz'', relatou.
Segundo a irmã, desde que voltou para Londrina, Diego estava desempregado. Ele só estudou até a 7 série do Ensino Fundamental. Antônio do Carmo apurou que, há cerca de 20 dias, o adolescente teria sofrido mais um disparo de arma de fogo, que o atingiu na perna. A família desconhecia o fato. Ele foi a 61 vítima de homicídio em Londrina neste ano.


