Dois homícidios ocorridos na madrugada de ontem dão a exata medida de como a violência se tornou banal em Londrina. Um homem morreu porque estava cumprindo suas funções no trabalho, o outro porque usava um chapéu engraçado e cruzou com uma turma ''errada'' dentro de um ônibus. O primeiro crime aconteceu dentro do Terminal Milton Gavetti (zona norte) e vitimou o vigia do local, Daniel Oliveira Pontes, 38 anos.
Há duas versões para o crime. Uma dá conta que Daniel foi morto numa tentativa de roubo, já que sua carteira e outros pertences pessoais desapareceram. Outra que o vigia estaria tentando impedir um grupo de adolescentes de pular o muro do terminal e os menores reagiram atirando. Três tiros o acertaram na região do tórax por volta da 1 hora. Não há suspeitos.
Daniel trabalhava como vigia noturno há cerca de cinco anos e, segundo o irmão Josué de Moura, ele comentava que as badernas e tentativas de invasões eram constantes. ''Ele dizia que sempre tinha baderna'', diz. Daniel era casado e tinha uma filha. Os responsáveis pela Transporte Coletivo Grande Londrina (TCGL) que assumiu os funcionários dos terminais há cerca de uma semana, até então contratados pela Prefeitura não foram encontrados para comentar o assunto. O funeral foi pago pela empresa.
O garçom Jorge Ramos dos Santos, 34 anos, estava voltando para casa, no Jardim Ana Elisa (zona oeste) por volta das 2 horas, quando um grupo de dois homens e uma mulher começaram a implicar com o chápeu que ele usava. Segundo a família, passageiros que estavam dentro do ônibus afirmaram que a discussão tomou corpo e um dos homens deu um chute em Santos. Ele caiu e em seguida tentou fugir quando o desconhecido começou a atirar.
Vários tiros teriam sido disparados dentro do ônibus e três atingiram Santos. As balas perfuraram o queixo, pescoço e coxa do rapaz. Ele desceria no próximo ponto.
A família do garçom ficou chocada com o crime. ''Ele era uma pessoa tranquila e sorridente, segundo nos falaram ele até estava levando a coisa (a discussão) na brincadeira, hoje em dia estão tirando a vida das pessoas por nada'', desabafa a cunhada da vítima, Judite Soares de Araújo. O garçom deixa mulher e filho. Informações extra-oficiais dão conta que os três envolvidos foram presos em flagrante.
Os crimes de ontem elevam para 115 o número de vítimas de homícidios este ano em Londrina.

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