Polícia recupera relógios de estudante
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sábado, 29 de dezembro de 2001
Maranúbia Barbosa<br>Reportagem Local 
A Polícia Civil de Londrina tem fortes indícios de que os assassinos do estudante Luiz Hermínio Izique Victorelli, 19 anos, mataram para roubar. A hipótese de latrocínio foi reforçada anteontem à noite depois que a Polícia Civil encontrou dois relógios da vítima que estavam com I.U., indiciado por receptação.
Segundo o delegado responsável pelo inquérito, João Aquino de Almeida, do 3º Distrito Policial (DP), o principal suspeito, Nilton Cesar Marcelino Vieira, 18 anos, o ''Juruna'', confessou que vendeu os relógios de Victorelli no mesmo dia do crime no sábado à noite. O pai da vítima, Hermínio Victorelli Filho, esteve no 3º DP e reconheceu os dois relógios importados.
Para o delegado, não há dúvidas de que Juruna é um dos autores do crime. ''A cada depoimento ele se contradiz e temos as provas material e testemunhal'', afirmou. Juruna declarou que Victorelli chegou no jardim Nossa Senhora da Paz (zona oeste) na noite de sábado, com um traficante chamado ''Tiaguinho Tibuti''. Segundo ele, o traficante estava armado com um revólver, convidou-o para entrar no veículo e, enquanto circulavam, Victorelli foi ameaçado.
Segundo Juruna, Tiaguinho dizia que a vítima pagaria pelo irmão, que teria delatado pontos de venda de drogas no bairro. Juruna afirmou que saiu da caminhonete pouco tempo depois e não presenciou o crime. Segundo o delegado, ainda não se sabe se o estudante foi espontaneamente para o bairro ou se foi rendido em algum lugar da cidade.
No depoimento, Juruna contou que ficou com os relógios e levou para um mecânico, com a intenção de trocar por um Monza, na segunda-feira passada. Como o mecânico não aceitou, ele entregou os relógios para I.U. por R$ 800. O receptador negou ao delegado que tenha comprado. Segundo I.U., que foi autuado pela polícia mas não ficou preso, Juruna deixou os relógios para que fizesse algum negócio. Juruna garantiu também que procurou o receptador junto com Tiaguinho, mas I.U. assegurou que ele estava sozinho.
Na opinião do delegado, Juruna quer pôr a culpa em Tiaguinho, porque ele seria menor de idade. Juruna está recolhido no 3º DP, cumprindo prisão temporária. Ontem, Almeida pediu à Justiça a prisão preventiva de Juruna.
O Instituto Médico-Legal (IML) informou, no final da tarde, que o laudo sobre a morte do estudante deverá ser divulgado somente no primeiro dia útil de 2002. ''Estamos aguardando o exame de dosagem alcoólica'', afirmou o médico-chefe, Rogério Eiseler. (Colaborou Luciano Augusto)


