Ney de SouzaDo lado de cáDelegado Amadeu Trevisan e os carros que já estavam em um desmanche na periferia de Ciudad del EsteUm acordo entre agentes do 3º Distrito Policial (DP) de Foz do Iguaçu e a Polícia Nacional do Paraguai, em Ciudad del Este, está recuperando carros brasileiros roubados que cruzaram a fronteira entre os dois países. Até ontem à tarde, o delegado brasileiro Amadeu Trevisam e o comisário da Polícia Nacional de Ciudad del Este, Vidal Sosa - responsáveis pelas investigações -, anunciaram a recuperação de cinco veículos. Hoje, policiais brasileiros voltam a cruzar a fronteira atrás de outro ‘‘ninho’’ de carros brasileiros roubados.
Na semana passada, policiais do 3º DP de Foz do Iguaçu conseguiram localizar um desmanche de veículos na periferia de Ciudad del Este. Porém, segundo o delegado Trevisam, eles não poderiam atuar sem uma permissão da polícia paraguaia. ‘‘Fizemos um acordo de cavalheiros para recuparar esses veículos’’, afirmou Trevisam.
No local, as polícias encontraram o Fiat Prêmio placas AGT 2685, o Fiat Fiorino ASP 4630, o Fiat Uno BVO 9769, e ainda uma Belina e uma Pampa sem placas. Todos os veículos são do Paraná e tinham boletim de ocorrência registrados. O dono do desmanche, o paraguaio Aurélio Garcia, fugiu. ‘‘Todos esses veículos foram roubados na semana passada e só foi possível recuperá-los porque ainda não haviam sofrido alterações’’, disse o delegado
‘‘Legalizar um veículo roubado no Brasil em território paraguaio é simples’’, afirma o advogado paraguaio, José Amilcar Talavera. Ele diz que não há embaraços e que a documentação brasileira não é exigida.
Para emplacar o veículo, segundo Talavera, basta que duas pessoas compareçam em um cartório e façam um contrato particular de compra e venda, reconhecendo as duas assinaturas. ‘‘Esse documento é apenas para dar validade a venda. Como é um instrumento particular entre duas pessoas, o cartório não entra na questão da veracidade ou não da negociação’’, explica Talavera.
A partir do contrato, o ‘‘novo proprietário’’ pode entrar com uma requisição na Prefeitura pedindo as novas placas e documentação. A única exigência é um laudo da Polícia Municipal de que o veículo tem condições de trafegar.
Segundo um levantamento da empresa Rinver - Recuperadora de Veículos Ltda, com sede em Foz do Iguaçu, que presta serviços para 35 empresas brasileiras de seguro, a cada três horas passa um carro roubado pela Ponte da Amizade, que liga o Brasil ao Paraguai. São oito veículos por dia, somente nessa área da fronteira.

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