A Delegacia de Estelionato e Desvio de Cargas de Curitiba recuperou US$ 314 mil em equipamentos eletrônicos que foram roubados em uma ação que pode ter sido comandada pela máfia chinesa. A mercadoria estava sendo transportada fronteira do Brasil com o Paraguai, quando foi interceptada em Curitiba. São mais de 5 mil videogames, de última geração, que foram fabricados em Miami, nos Estados Unidos.
A máfia chinesa é uma organização criminosa que atua no comércio de Ciudad del Este extorquindo lojistas e falsificando produtos de marcas famosas. Armando Marques Garcia, delegado titular da Delegacia de Desvio de Cargas, investiga a possibilidade de existir uma ramificação dessa máfia em Curitiba, onde ela contaria, inclusive, com a participação de policiais.
O roubo do contêiner com as mercadorias aconteceu no último dia 12, em um posto de combustível próximo ao trevo do Atuba, em Curitiba. Os equipamentos foram localizados no final da tarde de anteontem, em um barracão no município de Colombo, Região Metropolitana de Curitiba. O motorista do caminhão que transportava os videogames, Ezequiel Lima dos Santos, 28 anos, foi preso um dia depois do desaparecimento da carga, quando registrava queixa do roubo.
Em depoimento na delegacia, Santos confessou que fazia parte de uma quadrilha de desvio de cargas de Foz do Iguaçu. Ele também citou os comparsas Luiz Campos Pacheco, 36 anos, Renir César Gasparoto, 25 anos, Edson Santiago da Silva e Alexandre Gonçalves. Pacheco, Gasparoto e Silva são residentes em Foz. Alexandre é policial e trabalhava como investigador no 11º Distrito Policial de Curitiba.
Alexandre, que também está preso, estava afastado de suas funções como investigador por solicitação da CPI do Narcotráfico. Ele responde inquérito administrativo acusado de participar do tráfico de drogas no Paraná. Pacheco e Silva estão sendo procurados pela Justiça de Foz do Iguaçu e Gasparoto também já está preso. De acordo com o delegado, cada um dos integrantes da quadrilha receberia R$ 30 mil pela participação no assalto.
O representante da Transportadora Trape, responsável pela carga, contou que a empresa prestava serviço para comerciantes do Paraguai. Ele não quis se identificar mas disse que a transação de importação era legal e a transportadora tinha nota de trânsito aduaneiro. Segundo o delegado, a carga não precisava nem mesmo passar pela fiscalização da Receita Federal.
Os policiais chegaram até o local onde estavam as mercadorias depois que o contêiner foi encontrado abandonado e vazio próximo de um posto de combustível localizado entre Curitiba e Colombo.Delegado suspeita que roubo possa estar ligado ao crime organizado que age em Ciudad del Este, fronteira do Brasil com Paraguai
Albari RosaINTERCEPTADACarreta alugada pela polícia armazena carga que estava sendo transportada do Porto de Santos para o Paraguai

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