Polícia reconstitui morte da advogada
PUBLICAÇÃO
sábado, 13 de fevereiro de 1999
Lúcio Horta 
O Instituto de Criminalística de Londrina realizou ontem de manhã a reconstituição do assalto ao Bar da Mocidade, localizado na Rua Itajaí, área central. Durante o assalto, no dia 4 de fevereiro, houve troca de tiros entre os ladrões e um policial militar. A advogada Alexandra Disseró, 28 anos, que comemorava o aniversário no bar, levou um tiro e morreu no local.
O objetivo da reconstituição, segundo o delegado Valdir Abrahão, da seção de furtos e roubos da 10ª Subdivisão Policial, era tirar dúvidas antes de concluir o inquérito. A principal questão, no entanto, já havia sido respondida pelo exame de balística da polícia técnica: a bala que matou a advogada partiu do revólver calibre 38 do assaltante Ricardo Wagner Bernardino, 25 anos.
Além de Bernardino, estiveram presentes o comparsa dele no assalto, Márcio Geraldo, 29 anos; o policial militar Moisés Barbosa dos Santos, 29, que trocou tiros com os assaltantes; Silvio Roberto Romaneli, namorado da advogada; e testemunhas. Uma moradora que acompanhava o trabalho da polícia, foi convidada a participar do exame e sentar no mesmo lugar onde Disseró estava quando foi atingida pelo disparo.
A reconstituição só não esclareceu a única contradição levantada na versão dos assaltantes e na do policial: os primeiros dizem que Moisés Barbosa deu voz de prisão e disparou duas vezes para dentro do bar; já o policial afirma que não deu voz de prisão e só atirou quando os ladrões já tinham saído do bar.
O engenheiro civil Luís Noboru Narukawa, perito da criminalística informou que só é possível afirmar, através dos levantamentos feitos no local, que houve tiro de dentro para fora do bar. Mas não achamos vestígio de disparo em direção ao bar.
O PM Moisés Barbosa negou a versão dos assaltantes. Disse que a dupla o viu do lado de fora do bar, o reconheceu como policial e, em seguida, começou a disparar, ainda da porta de entrada. Não seria louco de fazer isso (dar voz de prisão). E não tive tempo de reagir. Ele disse também que trabalhou como segurança do bar há cerca de um ano, no período de férias da PM, e hoje só frequenta o local como cliente.
Segundo o delegado Abrahão, nenhuma das testemunhas disse ter visto o policial atirar para dentro do bar. Mas algumas afirmaram que o policial deu voz de prisão aos assaltantes. Vamos tentar esclarecer essa questão, apesar dela não agravar nem amenizar o crime, observou.
Os laudos da Criminalística só devem estar elaborados após o Carnaval. Assim que recebê-los, o delegado Abrahão enviará o inquérito para a justiça.


