Polícia reconstitui assassinato de 'Doido'
Telma Elorza
De Londrina
A Polícia Civil de Londrina fez ontem, na Prisão Provisória de Londrina (PPL), a reconstituição do crime de linchamento do catador de papel Ademir Justino da Silva, conhecido como Doido. A reconstituição foi acompanhada pelo delegado-adjunto da 10ª Subdivisão Policial (SDP), Acácio de Azevedo, pelo promotor da 1ª Vara Criminal, Janderson Camões de Carvalho Iassaka, pelo chefe-adjunto do Instituto de Criminalística, Geraldo Gonçalves de Oliveira Filho, e pela coordenadora da Comissão de Justiça e Segurança do Centro de Direitos Humanos (CDH), Regiane de Oliveira Andreola.
A reconstituição, conduzida pelo perito da Criminalística Luiz Carlos Kovacs, durou cerca de duas horas e teve a participação dos agentes penitenciários José Roberto Ferreira e Ademilson Garbelini, que teriam sido rendidos pelos presos que lincharam Doido, na manhã do dia 11 de setembro. O linchamento aconteceu quando os presos estavam sendo levados para o pátio de sol. Cerca de 50 homens do Pelotão de Choque da Polícia Militar acompanharam a reconstituição para garantir a segurança da operação.
Segundo o delegado-adjunto, que preside o inquérito sobre o linchamento, a reconstituição vai facilitar a compreensão sobre como os fatos realmente ocorreram. Desta maneira poderemos definir com certeza as posições de cada um na hora do crime, o ângulo de visão e outros detalhes importantes como onde estavam os agentes, onde estavam os presos e até onde arrastaram o Doido. Ver as coisas no próprio local ajuda muito nos esclarecimentos, afirmou Azevedo. O pedido de reconstituição do linchamento foi feito pelo promotor Iassaka, no final de outubro.
De acordo com Azevedo, a princípio a reconstituição não acusou nenhuma grande divergência dos depoimentos já colhidos. À primeira vista, parece que seguiram no mesmo sentido. Mas vamos comparar os laudos com os depoimentos e os levantamentos já feitos pela polícia para ter certeza, explicou. O resultado da perícia de ontem deve sair em 10 dias.
O delegado disse que foram pedidos à Criminalística mais dois laudos diferentes, um específico sobre o quadrante onde Doido poderia ter pernoitado e outro sobre portas, grades e divisões das celas, especialmente a da cela 8 onde estaria o preso. Indagado sobre uma possível facilitação por parte dos agentes penitenciários, Azevedo disse apenas que tudo está sendo investigado.
O catador de papel foi linchado por dezenas de detentos da PPL. Ademir da Silva estava detido na prisão há poucas horas porque teria confessado o assassinato e estupro de Greice Carolina da Silva Melo, de 5 anos. Doido chegou a ser socorrido, mas morreu a caminho do Hospital Universitário (HU).
A surpresa maior durante toda a reconstituição ficou por conta da descoberta de uma nova tentativa de fuga dos presos, a oitava desde a inauguração da PPL, em agosto de 98. Os presos da cela 18 estariam substituindo as barras de ferro das grades da janela por barras de papelão pintadas. Segundo o diretor da PPL, delegado Eurico Hummig Filho, o episódio de hoje não pode ser considerado nem uma tentativa de fuga. Eu prefiro ver como um exercício de criatividade. A gente faz vistorias diárias, mas eles são muito criativos e estão sempre inventando alguma coisa, disse.





