Polícia recebeu mais de 400 queixas
Paulo Ubiratan
De Londrina
Até o final da tarde de ontem 453 pessoas registraram queixa na 10ª Subdivisão Policial (SDP) de Londrina contra a loja de móveis Casa Nobre, localizada na Avenida Tiradentes, 155 (zona oeste). Segundo levantamento feito pela Folha, com o número total de vítimas contabilizadas até ontem à tarde, o golpe que a Casa Nobre aplicou deverá ultrapassar os R$ 500 mil. Somente ontem 103 pessoas estiveram na 10ª SDP registrando queixa.
O golpe teria sido aplicado pelo proprietário da loja, identificado pela polícia como sendo Cícero José dos Santos, que está desaparecido desde a última sexta-feira. Ele vendia conjuntos de sala e estofados abaixo dos preços de mercado, com a promessa de serem entregues duas ou três semanas depois, após a vítima pagar uma entrada. A entrada correspondia, em média, a R$ 500 e o restante dos pagamentos era desdobrado em parcelas mensais, garantidas com cheques.
O que mais chamou a atenção e provocou indignação das vítimas foi que uma semana antes da descoberta do golpe, Cícero esteve no 1º Distrito Policial prestando depoimento a pedido da empresa de crédito Losango. A empresa estava descontando os cheques dos clientes a favor da Casa Nobre. A direção da Losango desconfiou do negócio, quando analisou o cadastro deles e notou que muitos não possuíam estrutura financeira para comprar os móveis.
O delegado Algacir Ramos, responsável pelo 1º DP, disse que por intermédio da carteira de identidade de Cícero, fez um levantamento nas polícias do Rio de Janeiro e São Paulo e nada encontrou contra ele. O delegado não achou nada porque a carteira de identidade do Cícero deveria ser falsa. Acho que o delegado deveria ir mais a fundo nas investigações, inclusive, pedir que a polícia de São Paulo fosse até o local onde Cícero disse ter uma fábrica de móveis, afirmou uma das vítimas, Maria de Lurdes Gonçalves. Segundo a polícia, a fábrica está falida há mais de um ano.





