Todos os dias, agentes de apoio do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar atendem centenas de ligações de pessoas que buscam socorro. O problema acontece quando são passadas informações falsas ou a ligação tem como único objetivo ''brincar'' com a seriedade do serviço de emergência.
Na noite de segunda-feira, um telefonema chamou a atenção dos socorristas do Siate e também de policiais militares que se mobilizaram rapidamente para atender uma ocorrência que não existiu. Um homem ligou para o Corpo de Bombeiros e relatou que havia uma vítima de esfaqueamento em frente de casa. ''Não pareceu um trote, mas quando a viatura da PM chegou no local, não havia ninguém no endereço que ele nos passou'', comentou a atendente Daniela Escrivani. A caminho para atender a ocorrência, uma viatura da PM capotou e ficou parcialmente destruída. Os dois policiais sofreram ferimentos.
Cerca de 15% das duas mil ligações diárias feitas à PM de Londrina são trotes. Por ano, são 720 mil ligações, destas 100 mil se caracterizam como trotes. Segundo o porta voz do 5º Batalhão da PM, tenente Ricardo Eguedis, toda vez que isso ocorre há um grande transtorno para toda a equipe.
''Há gasto de tempo, combustível das viaturas, pessoal, tudo. Eles vão até o local e se não encontram nada, continuam procurando até constatar realmente que foi um trote. A população precisa saber que não é incomum casos de pessoas que são presas passando trote, porque a própria polícia fica de olho'', ressaltou.
Há mais de dois anos atuando como agente de apoio nos bombeiros, a atendente lembra de uma outra ocasião em que foi realmente constatado trote. ''Havia uma festa e nos ligaram dizendo que tinha alguém baleado no local. Quando nossa ambulância chegou lá, verificaram que não havia ninguém ferido. Mas tinha várias pessoas estavam embriagadas. Provavalmente foi uma delas que passou o trote, mas não tínhamos como saber'', comentou Daniela.
O comandante interino do Corpo de Bombeiros, major Nilson Bezerra, explicou que não há estatísticas que registrem a quantidade de trotes pelo 193, mas que são comuns casos de crianças ou até mesmo de adultos que atrapalham o trabalho dos socorristas. ''Quando é uma criança que liga, o atendente já é orientado a chamar um adulto e então a criança acaba desligando. Chamadas em que envolvem incêndios ou acidentes, normalmente, recebemos várias ligações, por isso o atendente acaba ficando de olho quando uma pessoa apenas liga e diz alguma coisa que pode não ser verdade'', comentou.
O sargento lembrou que acionar um órgão público de emergência sem necessidade é considerado crime e que uma pessoa flagrada passando trote pode até ser presa. ''Há todo um grande transtorno quando um pessoal se desloca até um local sem necessidade. Além disso, o caminhão dos bombeiros circulando em emergência pelas ruas da cidade sem necessidade pode colocar em risco a vida dos próprios bombeiros e de terceiros'', disse.

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