Luciana Pombo
De Curitiba
O delegado Fauze Salmen, titular da Delegacia de Homicídios, questionou ontem a veracidade das informações prestadas pelo principal acusado do assassinato do empresário Miguel Siqueira Donha, de 51 anos, diretor da Corretora de Seguros Banestado e presidente do diretório municipal do PPS de Almirante Tamandaré, na Região Metropolitana de Curitiba, durante entrevista dada à imprensa na tarde de anteontem. Edson Farias confirmou as suspeitas de crime político e disse que foi contratado para dar ‘‘um susto’’ no empresário. ‘‘Eu estou achando tudo muito estranho. A gente procura o cara por 15 dias, ele aparece de repente, na sede do PPS, e confirma a versão defendida por eles. Parece conto de fadas’’, declarou Salmen.
O delegado questionou ainda o fato de Edson Farias não ter sido apresentado na Delegacia de Homicídios. ‘‘Por que ele não foi trazido para cá? Por que não me apresentaram o autor dos disparos?’’, perguntou. Salmen deverá ouvir o acusado no Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) para onde ele foi encaminhado, sob custódia do Ministério Público. ‘‘Tenho pressa em concluir esse inquérito’’, declarou.
O delegado pretende ouvir ainda o funcionário público Azemir de Barros, irmão do prefeito de Almirante Tamandaré, Antônio Cezar Manfron de Barros (PTB). Barros foi intimado para depor ontem e receberá outra intimação. Ele foi citado durante o depoimento que o principal acusado de ser o mandante do crime, Antonio Martins Vidal, conhecido como Tico, deu para a Polícia Civil. O nome do funcionário público também foi lembrado anteontem, na entrevista concedida à imprensa por Farias, que confirmou todas as declarações prestadas em depoimento na Promotoria de Investigações Criminais (PIC) do Ministério Público. ‘‘Não detectamos nenhuma contradição no que ele disse. Foi exatamente o que está publicado nos jornais’’, declarou o promotor Luiz Eduardo Albuquerque.
O depoimento de Farias durou cerca de três horas. Como a investigação por parte da Delegacia de Homicídios tem prazo de dez dias para ser concluída, a PIC deverá aguardar os autos para dar continuidade às investigações. ‘‘Não estamos preocupados em saber se o crime foi ou não político. Estamos preocupados em evitar que forças contrárias interfiram nas investigações’’, afirmou Albuquerque. A participação do Ministério Público nas investigações sobre o caso foi determinada pelo procurador geral da Justiça, Gilberto Giacóia.
Direitos Humanos O caso do assassinato de Donha foi parar no Ministério da Justiça. Ontem, o ministro José Carlos Dias recebeu as denúncias de descaso da Polícia Civil do Paraná com o crime, que teria sido político. As denúncias foram formalizadas pelo senador Roberto Freire e pelos responsáveis pelos diretórios nacional, estadual e municipal do PPS.

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