Os órgãos de combate e repressão ao tráfico de drogas contestaram em Foz do Iguaçu as mudanças na legislação sobre entorpecentes que tramita no Senado. Essa posição, que reflete o pensamento das polícias dos três Estados do Sul - Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul - mais o Mato Grosso do Sul, questiona principalmente o fim das detenções de usuários de drogas.
Ontem, durante o encerramento do 1º Encontro de Fronteira Brasil-Argentina na Área de Drogas, que discutiu a política de atuação para o Conselho de Desenvolvimento do Sul (Codesul), as polícias dos quatro Estados elaboraram documento que será analisado em uma reunião geral que vai definir propostas para todos os setores. Porém, as polícias já se posicionaram contra a proposta sobre entorpecentes.
O diretor da Divisão de Investigações de Narcotráfico do Rio Grande do Sul, delegado Walter Wagner da Silva, disse que, caso o novo projeto sobre entorpecentes seja aprovado pelos senadores, o trabalho policial será prejudicado. ‘‘O viciado deve continuar sendo preso, pois acreditamos que, através dele pode-se chegar aos traficantes’’, disse.
Wagner da Silva acredita que ‘‘todo viciado é um traficante em potencial’’ e, para ele, a proposta que está no Senado é branda nas penalidades e exclui o principal mecanismo de ligação entre a polícia e o traficante. ‘‘O usuário é a principal fonte de informação da polícia e a exclusão desse tipo de prisão deve receber pressão dos organismos policiais’’, disse.
De acordo com um levantamento feito pela polícia, há um novo perfil do distribuidor de drogas nos grandes centros. ‘‘Já está confirmado que a maior movimentação de drogas acontece entre os pequenos traficantes’’, acredita Wagner da Silva. Para o coordenador do Grupo Técnico Operacional de Entorpecentes do Conselho de Segurança do Codesul, Marcos Bruno, a droga também obedece a leis de mercado estabelecida pela procura e oferta. ‘‘É indispensável o trabalho de prevenção não permitindo a procura e o de repressão para coibir a oferta’’, defende.
Apesar das contestações, as polícias dos quatro Estados que compõem o Codesul acreditam que há avanços no projeto de lei sobre entorpecentes. Os órgãos citam que a lei pode se tornar mais rigorosa a partir da ampliação da pena variando entre seis e 20 anos de prisão para traficantes. Porém, os policiais discordam da pena de prestação de serviços para os viciados. ‘‘Não há um órgão que fiscalize o cumprimento dessa pena, o que a torna inviável’’, contesta o diretor de Investigações de Narcotráfico do Rio Grande do Sul.
Apreensões As autoridades policiais estão preocupadas com o grande volume de apreensão de drogas nas fronteiras e devem elaborar uma proposta de atuação comum até a reunião geral do Codesul, que deve acontecer no final do mês em Campo Grande (MS).
De acordo com um levantamento feito pela Polícia Civil, de janeiro a agosto deste ano, foram apreendidas três toneladas de maconha e 44,9 quilos de cocaína. Desse total, 1,2 mil quilos de cocaína foram retidos na região de fronteira em Foz do Iguaçu.

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