Polícia quer intimar pedreiros
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sexta-feira, 24 de julho de 1998
Dimitri do Valle 
O delegado-titular do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), João Ricardo Kepes Noronha, disse ontem que vai intimar os trabalhadores contratados pelos irmãos Nelson, 27, e Elias Pacheco de Mello, 20. Os dois, que seriam os líderes da quadrilha responsável por assaltos a carros-forte no Paraná, foram mortos na noite de quarta-feira durante tiroteio com agentes do Cope em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba.
Os pedreiros entrevistados pela Folha na quinta-feira suspeitavam que os irmãos Mello poderiam não ter envolvimento com atos criminosos. Não acredito que eram bandidos, falou Jessé Souto Braz, 28 anos, encarregado da construção de uma residência localizada no mesmo terreno da casa onde Nelson e Elias morreram. Ricardo Noronha garantiu que um agente do Cope testemunhou a declaração de um pedreiro que afirmou ter visto Nelson carregando uma pistola na cintura. Noronha disse que o caseiro Valter, levado para o Cope após o confronto, já tinha sido ouvido e liberado. Os pedreiros manifestaram preocupação com o paradeiro de Valter na manhã de quinta-feira.
Noronha contestou as informações prestadas pelos trabalhadores sobre o esconderijo do arsenal de armas e munições encontrados na residência. Os pedreiros disseram ser impossível esconder uma quantidade tão grande de armamento sem que ninguém percebesse nada. Noronha afirmou que as armas de grosso calibre estavam escondidas próximo a um canil. O delegado também negou que agentes do Cope haviam se apoderado de ferramentas, uma tevê e um videocassete de propriedade de Jessé Braz. O delegado continua não acreditando que Nelson e Elias sejam irmãos por causa das diferentes características físicas dos dois. Ele suspeita ainda que os nomes também não sejam verdadeiros.
Uma equipe do Cope continuava ontem em São Paulo na tentativa de capturar mais três homens apontados como integrantes da quadrilha especializada nos assaltos a carros-fortes. Noronha disse apenas que os policiais permaneciam levantando endereços para identificar os assaltantes.


