Luciana Pombo
De Curitiba
A Polícia Civil apresentou ontem o Grupo Operacional de Repressão ao Roubo de Cargas (GORRC), que será subordinado à Delegacia de Estelionato e Desvio de Cargas. A nova unidade terá como principal atribuição a identificação rápida das principais rotas críticas do Estado, horários de maior incidência de roubo de cargas, cidades onde ocorrem a receptação das cargas e forma de atuação das quadrilhas organizadas.
A intenção é fazer com que todas as informações sobre o desvio, furto ou roubo de cargas sejam comunicadas imediatamente ao GORRC. ‘‘Ele funcionará como um setor de inteligência, concentrando os dados e dando um real diagnóstico do que está acontecendo no Estado’’, declarou João Ricardo Képes Noronha.
O grupo terá uma estrutura própria e terá o apoio de duas viaturas, oito investigadores e um delegado. ‘‘A estrutura é pequena, mas suficiente para atender às nossas necessidades’’, declarou Jairo Amodio Estorilio, delegado titular do Gorrc. De acordo com ele, as informações que demoravam cerca de 30 dias para serem transmitidas do interior para a capital agora terão prazo máximo de 24 horas. Com a agilização dos trabalhos, ele acredita que conseguirá, num prazo de 60 dias, diminuir em 50% o índice de furtos e roubos de cargas no Paraná.
De acordo com os dados da Polícia Civil, no ano passado foram registradas 26 ocorrências de desvio de cargas no Estado e seis quadrilhas que atuavam no Paraná foram desarticuladas. Os dados da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Paraná (Fetranspar) demonstram que as ocorrências foram bem maiores. De janeiro a dezembro de 1999, foram registradas cerca de 170 ocorrências, uma média de 14 por mês, uma a cada dois dias. ‘‘A situação estava muito preocupante. Espero que este novo grupo possa nos ajudar a diminuir estes índices que são alarmantes’’, declarou Sérgio Malucelli, diretor executivo da Fetranspar. Nos últimos três anos, segundo ele, o desvio de cargas no Paraná aumentou cerca de 50%.
O prejuízo do setor com o desvio e roubo de cargas, de acordo com ele, é de cerca de R$ 7 milhões por mês. Em todo o País, o prejuízo chega a R$ 340 milhões/mês. ‘‘Se nada for feito, a tendência é de que o crime acabe se agravando cada vez mais. Há uma tendência natural de que as ocorrências de São Paulo e Rio de Janeiro acabem migrando para o Paranᒒ, afirmou.
As cargas mais roubadas no Estado são as de medicamentos, insumos agrícolas, alimentos, cigarros e produtos eletroeletrônicos. Os locais mais visados são Região Metropolitana de Curitiba, Norte e Oeste do Estado.

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